Continuando nossa série de posts sobre os últimos grandes carnavais brasileiros, o foco agora é o carnaval de 1953. Começamos mal. Em 1953 o Brasil não havia se recuperado do desaparecimento de Francisco Alves, num triste acidente automobilístico em agosto do ano anterior, e nossas duas grandes estrelas, Dalva e Carmen, estavam no estrangeiro - Carmen no frenesi estadunidense e Dalva casadinha com Tito Climent, na Argentina.
O que nos resta? Lamentos e conflitos sentimentais, realidade cotidiana e elogios à cachaça - profusos, entusiasmados e... vazios.
Edigar de Alencar (em seu livro "O carnaval carioca através da música") menciona esse carnaval como um dos menos ricos em clássicos. Quer dizer, cheio de sambas fáceis na boca do povo, mas esquecidos logo após a quarta-feira de cinzas.
O Chiadofone, porém, destaca alguns dos representantes desse carnaval e fica devendo apenas a melodia mais tocada do ano, "Cachaça" (lembram? "Se você pensa que cachaça é água..."), aliás não difícil de ser encontrada num site cá e acolá.
01 - Dircinha Batista - Máscara da face (samba de Klecius Caldas - A. Cavalcanti [Armando Cavalcanti], Odeon 13366a, grav. 26.09.1952) 02 - Dalva de Oliveira - Vai na paz de Deus (samba de Ataulfo Alves - Antonio Domingues, Odeon 13382a, grav. 11.11.1952) 03 - Orlando Silva - Boêmio de raça (samba de Sebastião Rosendo - Alex, Copacabana 5014a, janeiro de 1953) 04 - Carmen Costa - Vai levando (batucada de Ataulpho Alves – José Baptista [Wilson Baptista], Star 392b, novembro de 1952) 05 - Black-Out Com Astor E Sua Orquestra - Dona Cegonha (marcha de Cavalcanti - Klecius [Armando Cavalcanti - Klecius Caldas], Continental 16669a, janeiro de 1953) 06 - Marlene Com Zimbres E Sua Orquestra - Zé Marmita (samba de Brazinha – Luiz Antonio, Continental 16670a, janeiro de 1953) 07 - Jorge Veiga Com Astor E Seu Conjunto - Na China [marcha de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, Continental 16690a, janeiro de 1953) 08 - Linda Baptista - Abre a porta São Pedro (samba de Armando Cavalcanti - Klecius Caldas, RCA Victor 80-1000a, grav. 15.08.1952, outubro de 1952) 09 - Cesar de Alencar - Cossaco (marcha de Carvalhinho, RCA Victor 80-1024a, grav. 04.09.1952, novembro de 1952) 10 - Angela Maria - Matéria plástica (marcha de Wilson Baptista – Jair Amorim, RCA Victor 80-1032b, grav. 09.09.1952, novembro de 1952) 11 - 4 Ases e 1 Coringa - Pescador (marcha de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, RCA Victor 80-1038a, grav. 18.09.1952, dezembro de 1952)
E a década de 1920?... É a pergunta que me vem à cabeça sempre que consulto o "Feedjit", ferramenta que instalamos no blog para saber de onde são nossos visitantes e, mais importante ainda, o que procuram e como chegaram. E é simplesmente impressionante a quantidade daqueles que aqui chegam em busca dos anos 20. Numa frequência praticamente diária, o Google e outros buscadores nos "encaminham" visitantes que neles pesquisaram por "MPB da década de 20", "música brasileira anos 1920", etc.
Minha conclusão: é uma demanda que não é atendida. Simplesmente não há como chegar na loja e pedir "oi, quero o CD do Benicio Barbosa". Não que acreditemos que discos com gravações de, digamos, Frederico Rocha, Arthur Castro, Lais Arêda, Sebastião Rufino e muitos outros (todos eles artistas de valor que, entretanto, caíram no esquecimento) fossem vender às pencas se lançados pela Revivendo, mas que a década de 1920 está marcada no imaginário popular e há bastante gente interessada no que se ouvia, no que se dançava, no que fazia sucesso nas vitrolas naqueles tempos, isso é fato.
Portanto, daremos também atenção a este período, fazendo o possível para vencer a escassez de material. Discos da década de 1920 às vezes são mais difíceis de se encontrar do que discos da primeira década daquele século, acredite quem quiser! E quando é de repertório dançante (samba, maxixe, fox-trot), então... não é raro que apareçam em um estado de conservação deplorável, o que nem causa muito espanto pois deviam ser tocados à exaustão.
Uma última observação: por "licença poética", serão também considerados vários discos gravados em 1931 e 1932 ainda sob o rótulo de "loucos anos 20". Ainda em 1932, nas gravadoras Odeon e Parlophon, encontramos várias gravações no "velho estilo". Estilo que eu até afirmaria que nasceu na Odeon, a única grande gravadora daqueles tempos e que reinaria sozinha até fins de 1929. O disco que apresento hoje, o Parlophon 13272, é um deles. Ouçam a formidável introdução feita pela Orchestra Guanabara (os primeiros vinte segundos) em "Cor de prata" que estará demonstrado o que quero dizer.
Pois bem, "Cor de Prata" foi grande sucesso no carnaval de 1931, e "Nêga", a música do outro lado do disco, de letra espirituosa e gaiata, também não deixou a desejar. A primeira foi obra inspiradíssima de Lamartine Babo e a segunda, de Lamartine com Noel Rosa.
Detalhe na capa
Um costume de época: as dedicatórias, quase sempre presentes nas partituras
Em ambas o vocalista é ninguém menos que João de Barro, o Braguinha, ainda na sua fase de cantor. Nos coros percebe-se com destaque as vozes de Almirante (lado A) e Noel Rosa (lado B, que teve por acompanhamento o Bando de Tangarás).
Estimo que ambas tenham sido gravadas em dezembro de 1930 ou no início de janeiro de 1931, sendo o disco lançado ainda neste mês.
Vinícius de Moraes cantando em 78 rotações por minuto? Pois é, vamos lá!
Trecho de entrevista concedida por Vinícius a Clarice Lispector:
"Dizem, na minha família, que eu cantei antes de falar. E havia uma cançãozinha que eu repetia e que tinha um leve tema de sons. Fui criado no mundo da música, minha mãe e minha avó tocavam piano, eu me lembro de como me machucavam aquelas valsas antigas. Meu pai também tocava violão, cresci ouvindo música. Depois a poesia fez o resto"
Como compositor, a história de Vinícius remonta a tempos antigos. Em 1928, compõe com Haroldo Tapajós, o fox "Loura ou Morena", que ganharia registro só em 1932, pelaas vozes de Haroldo e Paulo Tapajós - os "Irmãos Tapajós". Ainda com Haroldo, Vinícius comporia "Doce Ilusão", "O Beijo que Você Nunca Quis Dar", "Canção da Noite", Namorado da Lua", "Nosso Amor de Criança" entre outros. Curiosamente, todas essas músicas citadas são foxes. Engraçado é como isso iria desaguar, anos depois, num grande compostiro de sambas!
Da sua parte letrista, a coisa era até natural, dada a sua grande intimidade com a palavra escrita. Muito embora essas primeiras composições ele mesmo considerasse apenas brincadeira de garoto. Como cantor, porém, algum tempo ainda teria que esperar. Em 1955, instalado no Brasil após muitos anos exercendo pelo mundo suas atividades de diplomata, apresenta-se esporadicamente na TV carioca cantando suas composições.
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O Globo (RJ) 26-11-55
Coluna - "Nós os Ouvintes" - do Ouvinte Desconhecido
João Condé apresentou na terça feira última, na TV Tupi, mais um programa da série "Arquivos Implacáveis", desta vez entrevistanto o poeta Vinícius de Moares. Vinícius cantou (mal e desafinado) ao violão, o samba de sua autoria "Medo de Amar".
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Em 1956, chegou inclusive a recber um convite de Paulo Serrano para gravar suas canções num LP de 10" pela grvadora Sinter. A idéia não vingou e o disco teve que esperar um pouco mais para receber o Vinícius cantor. E isso aconteceria em 1960.
Em 1960, a gravadora Philips lança o LP "Bossa Nova Mesmo" sob a supervisão de Aloysio de Oliveira e Júlio Hungria. Certamente, um dos dois se lembraram de suas aventuras pela televisão e acharam boa idéia chama-lo para cantar, até para empregar prestígio a esta empreitada, que contava com vários ainda amadores. Mas Vinícius, boa praça que sempre foi, adorava cantar e interagir com essa nova turma. Suas criações com Antônio Carlos Jobim vinham sendo amplamente divulgadas pelos cantores identificadas com o samba moderno, ou a Bossa Nova. "Chega de Saudade", "A Felicidade", "Eu Sei Que Vou te Amar", "Brigas, Nunca Mais" entre tantas outras já eram sucesso. No disco, além de Sylvinha Telles, Lúcio ALves, Laís Barreto, Carlos Lyra e Conjunto do Oscar Casro Neves, Vinícius debuta como cantor, interpretando "Pela Luz dos Olhos Teus" da forma original como foi concebida, em tempo de samba.
Infelizmente, este 78 RPM que apresentamos é constantemente ignorado de sua discografia. Gravado em dezembro de 1960 e lançado em janeiro de 61, trata-se do primeiro e único registro do poeta destinado ás festas de Momo. As canções escolhidas foram "Água de Beber" e "Lamento no Morro" e tornariam-se clássicos da Bossa Nova. A marcação pra lá de batucada, o coro estridente e as estratégicas pratadas não deixam dúvidas. Talvez, se o vocalista fosse outro, nem teria porquê esssa estranheza. Mas que é diferente, ah isso é! E como bônus, vai ainda a citada "Pela Luz dos Olhos Teus" extraída do referido LP.
O catálogo de partituras das Edições Irmãos Vitale apresentou cerca de 93 sucessos para 1954, o ano do penúltimo grande carnaval brasileiro - na opinião modesta deste que vos escreve. Entre os sucessos, o Chiadofone hoje traz 23, entre os inesquecíveis, as curiosidades e as boas músicas, mas não famosas do grande público.
Neste carnaval, destacam-se os sucessos “História da maçã”, “Vagalume”, “Não posso mais” e “Saca rolha”, que dispensa apresentações. Os casos mais curiosos deste post são a marcha “Ai, ai Janot”, gravada por Elizete Cardoso e o samba “Em Mangueira”, gravada por Dóris Monteiro, duas intérpretes cuja figura em geral é associada à bossa nova.
01 - Jorge Veiga - História da maçã (marcha de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, Copacabana 5174a, dezembro de 1953) 02 - Anjos do Inferno - "Qualquer preço" (samba de Arnô Canegal e Barão, Copacabana 5175a, dezembro de 1953) 03 - Jorge Veiga - Não posso mais (samba de Haroldo Lobo, Milton de Oliveira e Claudionor Santos, Copacabana 5187a, janeiro de 1954) 04 - Risadinha - Eu quero rebolar (marcha de Otolindo Lopes - Arnô Provenzano, Odeon 13577a, grav. 27.10.1953) 05 - Risadinha - Em cada coração um pecado (samba de Francisco Netto - Rosemberg - O. Silva, Odeon 13577b, grav. 27.10.1953) 06 - João Dias - Don Juan (marcha de Wilson Batista e Bruno Gomes, Odeon 13579a, grav. 03.11.1953) 07 - Violeta Cavalcante - Vou levando (samba de Domicio Costa - Valzinho, Odeon 13582a, grav. 03.11.1953) 08 - Violeta Cavalcante - Vagalume (marcha de Vitor Simon - Fernando Martins, Odeon 13582b, grav. 03.11.1953) 09 - Diamantina Gomes e Zé e Zilda - Vendedor de pirolito (marcha de José Gonçalves e Zilda Gonçalves, Odeon 13584a, grav. 10.11.1953) 10 - Diamantina Gomes e Zé e Zilda - Jura (samba de Zé da Zilda - M. Ramos - Adolpho Macedo, Odeon 13584b, grav. 10.11.1953) 11 - Os 4 Amigos e João Dias - Vou beber pra esquecer (marcha de José Saccomani e Raguinho, Odeon 13587b, grav. 03.11.1953) 12 - Zé e Zilda - Saca-rôlha (marcha de Zé da Zilda - Zilda Gonçalves - Waldyr Machado, Odeon 13588a, grav. 27.10.1953) 13 - Zé e Zilda - Olha o côco sinhá (batucada de Zé da Zilda - Jota Reis - Adelino Moreira, Odeon 13588b, grav. 27.10.1953) 14 - Hebe Camargo - Eu não sou deus (samba de Fernando Lobo e José Roy, Odeon 13596b, grav. 02.12.1953) 15 - Jorge Goulart Com Vero E Sua Orquestra - Abre alas (samba de Belem – B. Lôbo – Inha, continental 16884a, janeiro de 1954) 16 - Marlene Com Severino Araujo E Sua Orquestra Tabajara - Marcha do tambor (de Jurandi Prates - Hianto de Almeida - Ewaldo Ruy, Continental 16892b, janeiro de 1954) 17 - Doris Monteiro Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Em Mangueira (samba de Mário de Camargo - Orlando de Soares Filho, Todamérica 5377a, grav. 17.11.1953) 18 - Virginia Lane Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Zé corneteiro (marcha de Lalá Araújo, Todamérica 5378a, grav. 12.11.1953) 19 - Elizete Cardoso Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Ai, Ai, Janot (marcha de Pedro Alves - Gerson Filho - Antônio Filho, Todamérica 5380a, grav. 12.11.1953) 20 - Elizete Cardoso Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Amor que morreu (samba de Nelson Cavaquinho - Roldão Lima - Gilberto Teixeira, Todamérica 5380b, grav. 12.11.1953) 21 - Ademilde Fonseca Com Astor E Sua Orquestra - Uma casa brasileira (marcha de Wilson Batista - Everaldo De Barros, Todamérica 5381a, grav. 27.10.1953) 22 - Raul Moreno Com Astor E Sua Orquestra - Mulher de mau pensar (samba de Monsueto Menezes - Eloy Marques, Todamérica 5387a, grav. 08.10.1953) 23 - Raul Moreno Com Astor E Sua Orquestra - A fonte secou (samba de Monsueto Menezes - Tufy Lauar - Marcléo, Todamérica 5387b, grav. 08.10.1953)
Olá a todos! Este que vos escreve, guarulhense de nascença e paulistano de coração, reside, atualmente, na Cidade Maravilhosa. E não é por conta dessa nova situação que deixaremos de lado a nossa cruzada em prol da boa música feita em São Paulo! Como já tratamos anteriormente, a música feita nos dois polos era bem distinta, cada qual com seus próprios astros e estrelas, sendo que o Rio levava a melhor, pois suas rádios (principalmente a Nacional) tinham alcance no Brasil inteiro. E hoje, com muita saudade, focalizamos Dircinha Costa, uma das figuras mais populares da Paulicéia.
Dircinha nasceu Maria José Pereira da Silva, na cidade de Bauru/SP em 26/8/1930. Na mesma cidade, já cantava nas rádios locais e em programas de calouros até que muda-se para São Paulo em 1940. Conforme diria em entrevista concedida ao jornal "O Dia" em 1954, começara a levar ainda mais a sério os programas de calouros. Assim, além de de se aproximar do seu objetivo de tornar-se cantora de rádio, ajudava a família com os cachês e prêmios que ganhava. Sua voz bonita e doce logo chamou a atenção de Ivo Peçanha, responsável pela Rádio Cruzeiro do Sul, que a contratou por 6 meses. Terminado o contrato, Blota Júnior, olheiro de sorte, contratou Dircinha para atuar na Rádio Record. Lá também permaneceu pouco, pois sua atuação era escassa e se sentia apenas mais uma naquele imenso "cast". Desgostosa, retirou-se de cena, isso em 1947, para retornar em 1950, sob contrato com a Rádio Bandeirantes.
Lá as coisas começaram a acontecer. Seu prestígio e popularidade cresceram verticalmente e logo era a principal cantora do seu elenco. Começou a gravar pela Columbia e sua voz deixou, aos poucos, de ser apenas um fenômeno local. Foi ainda sob o domínio da PRH-9 que Dircinha conheceu muitos estados do Brasil e foi candidata a Rainha do Rádio Paulista em 1954. Infelizmente, não levou o título, que ficou com Juanita Cavalcanti, mas ainda assim imperava na Rádio Bandeirantes. Alegre e festeira, gostava de gritar "Viva o Corinthians" para incitar o carisma (ou a ira) dos auditórios por onde passava. Falava o que pensava, acumulando até alguns desafetos na sua passagem pela vida artística. Ainda retornaria para a Record em 1958, onde teria como amigas, entre outras, Neyde Fraga e Elza Laranjeira, suas velhas amigas desde o tempo de Rádio Cruzeiro do Sul,ambas já focalizadas aqui no Chiadofone. Em 1960, assina com a gravadora Copacabana, onde grava poucos discos, ao passo que também suas aparições na TV também começam a ficar mais espaçadas. Em 1964, com uma nova ordem musical já imperando, Dircinha abandona de vez a carreira.
Dircinha tinha um jeito diferente de cantar, até, digamos, avançado para a época. Era um canto suave e doce, não necessariamente sexy, mas tinha um quê meio "safadinho", como diria a cantora e sua amiga Luely Figueiró. No lado A, está o famoso fox "Neurastênico", grande sucesso de 1954 que, além de sua gravação e a do autor Betinho, ainda seria gravado pel'Os Cariocas, Raul de Barros, Sylvio Mazzuca, Pernambuco e Gilberto Grossi. É curiosa a associação do bairro carioca de Jacarepaguá com a "neurastenia". Na época da composição, o bairro era pouco habitado pois é bem afastado do centro, no extremo oeste do Rio. E a pessoas que não estavam "bem da cabeça", recomendava-se uma temporada lá pra se desligar dos problemas da cidade. Fazendo um paralelo, seria o equivalente à recomendação de uma temporada na região da Avenida Paulista àqueles que sofriam de tuberculose, no final do século XIX. No lado B, temos o fox "À Luz da Lua Prateada". Dircinha era especialista na interpretação de foxes, sendo este o gênero predominante nos seus discos. E nesta face do disco, temos Dircinha numa excelente interpretação, de letra bem ousada (bem ao seu estilo também), que nos dá a prova real do porquê de ser uma das strelas mais requisitadas de São Paulo.
Seus discos, infelizmente, não são tão fáceis de se achar. Mas a questão é: não conheci ninguém que tenha ouvido e não tenha gostado! Aproveitem e comentem!
P.S.: Quando a música é boa, não importa a sua origem. Porém, já sinto o espírito do rádio carioca me invadindo! Aguardem novidades!
O Chiadofone dá início hoje a uma série de posts sobre os carnavais brasileiros do período 1948-1955.
O catálogo de partituras das Edições Irmãos Vitale apresentou cerca de 110 sucessos para 1955, o ano do último grande carnaval brasileiro - na opinião modesta deste que vos escreve. Entre os sucessos, o Chiadofone hoje traz 25, entre os inesquecíveis, as curiosidades e as boas músicas, mas não famosas do grande público.
As primeiras gravações do post trazem uma história triste: "Ressaca" e "Guarda essa arma" são as duas últimas participações doZé da Zilda (José Gonçalves) em disco, que faleceu pouco tempo depois. “Império do samba” é uma homenagem da Odeon ao grande intérprete, como o atesta o selo do disco.
Coleção Djalma M.C.
Muitos dos sucessos aqui postados foram reunidos em um LP dez polegadas naquele ano. Deles, o Chiadofone dispõe para audição as gravações de Hebe Camargo, Dalva de Oliveira, Alcides Gerardi e João Dias, retirados, porém, das excelentes gravações em 78 rpm.
1 - Coro de Artistas da Odeon - Império do Samba (samba de Zé e Zilda, Odeon 13734-a, grav. 09.12.1954) 2 - Coro de Artistas da Odeon - Samba do assovio (de Zé e Zilda - A. Silva – E.Silva, Odeon 13734-b, grav. 09.12.1954) 3 - Zé e Zilda - Ressaca (marcha de Zé da Zilda - Zilda, Odeon 13735-a, grav. 24.09.1954) 4 - Zé e Zilda - Guarda essa arma (marcha de Zé da Zilda - Zilda - J. Gonçalves, Odeon 13735-b, grav. 24.09.1954) 5 - Risadinha - O maior sou eu (samba de Zé Pretinho - A. Barreto - Ayrton Amorim, Odeon 13735-a, grav. 21.10.1954) 6 - Risadinha - Casado fala pouco (marcha de Otolindo Lopes - Arnô Provenzano, Odeon 13737-b, grav. 30.09.1954) 7 - Alcides Gerardi - Água, não!... (marcha de Américo Seixas - Erasmo Silva, Odeon 13738-a, grav. 04.10.1954) 8 - Hebe Camargo - Cansada de sofrer (samba de José Roy - Doca, Odeon 13747-a, grav. 07.10.1954) 9 - Hebe Camargo - Madalena (samba de Oswaldo França - Black-Out, Odeon 13747-b, grav. 07.10.1954) 10 - Dalva de Oliveira - É hoje (samba de Ataulfo Alves - Dunga, Odeon 13748-b, grav. 19.07.1954) 11 - Dalva de Oliveira - Chama do nosso amor (samba de Oswaldo Martins - Dias da Cruz, Odeon 13748-b, grav. 19.07.1954) 12 - João Dias - Meu último reinado (samba de Herivelto Martins - Raul Sampaio, Odeon 13769-a, grav. 26.10.1954) 13 - Francisco Carlos - Maldição (samba de Monsueto C. Menezes - R. Filho, RCA Victor 80-1400-b, grav. 06.10.1954) 14 - Marlene - Mora na filosofia (samba de Monsueto C. Menezes - Arnaldo Passos, Continental 17047-b, grav. 29.10.1954) 15 - Jorge Goulart Com Vero E Sua Orquestra - Ninguém tem pena (samba de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, Continental 17050-a) 16 - Jorge Goulart Com Vero E Sua Orquestra - Você não quer nem eu (samba de Ataulfo Alves, Continental 17050-b) 17 - Carmélia Alves Com Severino Araujo E Sua Orquestra Tabajara - Disco voador (marcha de Hervê Cordovil, Continental 17062-b) 18 - Nora Ney Com Ataulfo Alves E Suas Pastoras - Vou de tamanco (samba de Zé Gonçalves - Zilda Gonçalves, Continental 17065-a) 19 - Nora Ney Com Ataulfo Alves E Suas Pastoras - Se a saudade me apertar... (samba de Jorge Castro - Ataulfo Alves, Continental 17065-b) 20 - Jackson do Pandeiro - Vou gargalhar (samba de Edgar Ferreira, Copacabana 5331-b) 21 - Jorge Veiga - Tira essa mulher da minha frente (marcha de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, Copacabana 5353-b) 22 - Black-Out - Maria Escandalosa (marcha de Klecius Caldas - Armando Cavalcanti, Copacabana 5354-b) 23 - Gilberto Alves - Recordar (samba de Aldacir Louro - Aluisio Marins - Adolfo Macedo, Copacabana 5362-a) 24 - Carmen Costa - "Tem nêgo bêbo aí" (marcha de Mirabeau - Ayrton Amorim, Copacabana 5363-a) 25 - Jorge Veiga - Judas (samba de Haroldo Lobo - David Nasser, Copacabana 5364-a)
Boi-Bumbá em 29/jun/1938. Belém do Pará. Fotografia de Luis Saia.
Faz já algum tempo que adquiri a coletânea de gravações da Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade, mas tive de vencer o temor em postar um material ao mesmo tempo tão raro e tão escondido dos ouvidos daqueles a quem ele interessa. Entre projetos de censura à Internet e Associações destinadas à proteção do direito autoral, compartilhar cultura on line me parece uma temeridade, quase um blefe, ainda que o material registrado tenha sido produto de uma cultura iletrada e recolhido por um pesquisador interessado em preservá-la. Só que neste exato momento em que escrevo tenho em mãos um produto como qualquer outro, embalado em papel reciclado e que passou por todos os trâmites legais que o caracterizam como mercadoria.
Por esta razão, o Chiadofone disponibiliza 18 gravações apenas para escuta e orienta seus leitores a adquirirem este documento verdadeiro de um país sem memória como quem está fazendo a sua parte em difundir e atualizar o pouco da memória que nos resta. É parte de um total de 279 faixas, distribuídas em 7 horas de gravação. Pouco, comparada aos 1299 fonogramas originais em acetato referentes à música popular tradicional que fazem parte do acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga (Centro Cultural São Paulo). As gravações são resultado de uma pesquisa iniciada em fevereiro de 1938 e concluida por razões de força maior em julho do mesmo ano.
Por trás desta pesquisa se tem por verdade que Mário de Andrade buscou identificar na música uma forma de preservar "nossa identidade" frente à difusão da cultura de massa estrangeira e do surgimento de uma cultura urbana que distava de uma essência abstrata e ainda presente nas comunidades mais isoladas do país. Para mim, no entanto (e aqui sou sendo absolutamente pessoal), a pesquisa de Mário de Andrade resvala num pós-romantismo de matiz europeia muito condizente com o panorama político de países desfalcados por ditaduras nacionalistas e pela radicalização de interesses num contexto de crise econômica. Se por meio da literatura os românticos idealizaram o passado com vistas à formação de uma "identidade nacional", Mário de Andrade também idealizou nossa "identidade" quando escolheu pontos específicos do país onde foi buscar matrizes. Pode ser - e não duvido muito - que a pesquisa abarcasse o Sul e mesmo o Sudeste do país, mas, de qualquer forma, previa a exclusão da cultura de massa urbana que sem nenhuma dúvida derivava das mesmas manifestações pelas quais ele tinha interesse. A razão de sua exclusão é sócio-cultural e se justifica por um purismo musicológico que me parece muitas vezes ingênuo.
Tenho encontrado ultimamente um número cada vez maior de pessoas que critica o pagode e o funk carioca com o olhar superior do gosto refinado da classe média urbana escolarizada. Estou sendo irônico. Nunca achei que a classe média tivesse bom gosto. E imagino que, somando-se ainda o componente étnico que diferenciava as classes sociais do Brasil de maneira ainda mais escancarada nos primeiros decênios após o fim da escravidão, Mário não viveu num ambiente muito diferente dessa classe média que sei já existir em sua época. Talvez sem perceber, sua pesquisa refletiu a grande distância que, por exemplo, uma sambista como Aracy de Almeida ou Carmen Miranda tinham em relação a esta cultura "genuína".
Por isso, muitas das músicas que coloquei neste post servem para vos fazer pensar. Quem conhece e gosta das gravações dos primórdios da Casa Edison vai se espantar com algumas coisas que postei aqui, dada a semelhança. Não apenas nos gêneros (modinha, samba) como também nas letras e nos instrumentos utilizados. Uma dica: experimente cantar "Pelo telephone" sob o ritmo de "Dentro do Juruna os contrários não entram" para saber o que eu quero dizer.
A grandeza da pesquisa de Mário, preciso escrever isso antes que alguém pense mal, está na preservação de um tipo de repertório que não chegou - ou chegou diferentemente - aos discos comerciais dos anos 30. Mas ressalto aqui que, para a geração que sequer viu um 78 rpm nas lojas de discos, tanto o que Mário negou quanto aquilo que ele recolheu na Missão de Pesquisas Folclóricas é material de inestimável valor. E ainda por cima desconhecido por um monte de pessoas que escolheu como melhor apenas aquilo que ouve.
Membros da Missão de Pesquisas Folclóricas a caminho do Brejo dos Padres, mar. 1938. Foto de Antonio Ladeira e Luis Saia
O selo discográfico português Chiadofone, encontrado por acaso num site russo nos idos de 2005, circulou no início do século XX e é o mote deste blog sobre música popular brasileira registrada nos chiados dos discos de 76 e 78 rpm. Chiadofone é composto por:
Charles Bonares 27 anos - Pesquisador Apaixonado por MPB (1901-1964), mas acha que a bossa nova e o tropicalismo engessaram a música brasileira e que alguma porta importante se fechou na mente musical deste país.
Djalma M. C. 27 anos
Gabriel Gonzaga 21 anos - Pesquisador e Músico
Temos por objetivo contribuir na difusão de parte da memória musical brasileira da qual somos admiradores, sem qualquer objetivo financeiro direto ou indireto. Desta forma, todos os fonogramas aqui apresentados têm o seu uso limitado apenas àapreciação online. No caso de publicação de material com direitos autorais que venha a incomodar o seu detentor, por favor entre em contato com os administradores.
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Opinião e texto de Fábio Pires
Pesquisador e colecionador
Nessa postagem não vou discorrer fatos históricos ou mesmo traçar um
paralelo da música do séc...
Faces: Né Ladeiras
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*Discografia/Discography:
* *Groups*
Eito Fora - *Brigada Victor Jara* (LP, Mundo Novo, 1977)
Tamborileiro - *Brigada Victor Jara* (LP, Mundo Novo,1978)
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Monsueto em 78 rpm
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1 - Me deixe em paz (Monsueto - Airton Amorim) - Samba
(1951) RCA VICTOR 80-0825-a
Intérprete: Linda Batista
2 - Mulher de mau pensar (Elói Marques - Monsu...
"Minha" Dolores Duran
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Dolores Duran foi uma das maiores compositoras e intérpretes da Música Brasileira, ouso mesmo dizer que da música mundial. Foi com felicidade que recebi o co...
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The complete works of Ernesto Nazareth online
When a composers work falls into the public domain, his or her compositions
become accessible to a wider ci...
Conheça a história da imagem de N. S. Aparecida
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Segundo o Padre César Moreira, a data que a imagem de Nossa Senhora
Aparecida foi encontrada não é precisa. Foi em meados de 1717. “Bem, na
época, o govern...
Lord Astor e Seu Conjunto - E Danca (1961)
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Hello, good evening! I am very close to finish an important work to Loronix
and also a key effort to bring some relief to the financial problems I'm
facing...
História do rock and roll e Agostinho dos Santos
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Por Kid Vinil.
Muita gente me sugeriu essa pauta para a coluna no Yahoo! e o interessante é
que meu próximo livro contará a história do rock brasileiro des...
Linda Baptista - 90 Anos!
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Hoje, dia 19 de Junho marca o aniversário de 90 anos da grande cantora Linda
Baptista!
Linda foi uma das maiores intérpretes de nossa MPB, eleita Rainha do...
Silvana Armenulić - Sama sam (early '70)
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Eis es um compacto duplo da Silvana Armenulić, cantora da ex Yugoslavia:
Saudade da Bosnia.
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Faixas:
1. Lažni snovi, večna tuga
2. Kraj potoka bist...
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Alvarenga e Ranchinho:
Monumento da Música Popullar Brasileira (1977)
Here All (Tudo)
Here Only Covers (Só Capas)
EMI - Odeon (31c 052 422061 M) Original ...
Destaques de setembro/2008
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[image: Eydie Gormé]
02/09/08 - *Eydie Gormé - *Edith Gormenzano, conhecida no mundo musical como
Eydie Gormé, nasceu em 16 de agosto de 1931, em Nova Y...
programa #3 - a historia do vinyl - 3a parte
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*“A Indústria Fonográfica”*
Com o sucesso das “máquinas falantes” na virada do século, o que era apenas
uma experiência científica, poucos anos depois ha...