sexta-feira, 18 de julho de 2008

Sylvia Telles - Amendoim Torradinho / Desejo


Hoje, o nosso blog musical leva até vocês a conhecida e gostosa voz de Sylvinha Telles, num raro registro de 1955. Contando verdes 21 anos, Sylvinha já era veterana dos vários concursos de calouros que eram realizados na então capital federal, entre eles, o famoso ‘Calouros em Desfile’, apresentado por Ary Barroso, na Rádio Tupi. Através de seu então namorado, o grande violonista Candinho, notória figura da boemia e das rodas de violão do Rio de Janeiro, ela recebeu um convite do revistógrafo e comediante Colé para participar de sua próxima montagem, a revista ‘Gente Bem e Champanhota’. Uma vez eliminadas as “imoralidades” típicas de um teatro de revista, que impediriam a participação de qualquer boa moça em seu elenco, Sylvinha não só participou do espetáculo, como roubou a cena, interpretando justamente o samba-canção que compõe o lado A deste disco. A crítica carioca noticiou largamente a peça e cobriu de elogios a nossa estrela. O “Amendoim Torradinho” já vinha fazendo sucesso na voz de Vera Lúcia, pela gravadora Continental, e nas boites onde se ouvia boa música. A Odeon, que ainda não havia lançado a sua versão para esta canção, viu em Sylvinha uma promessa e a multinacional lançou em junho deste mesmo ano de 55 a sua primeira e histórica gravação.

Nossos ouvidos estão acostumados a se deliciar sempre com suas interpretações suaves, quase angelicais. Nestas gravações que disponibilizamos, temos a oportunidade de tomar contato com uma Sylvinha que pouco estamos acostumados: muito sensual, num estilo que Norma Beguell retomaria quatro anos depois em seu LP. Agasalhada por uma grande orquestra no primeiro número, ela capricha nos sussurros e na maneira de pronunciar as palavras certas, aumentando ainda mais o apelo erótico da letra. No verso do disco, o mais evidente e destacado, logo no começo, é o belo violão de Candinho. Muito bem produzido, tanto no aspecto técnico como no artístico, as rádios logo “adotaram” o disco e Sylvinha foi alçada a condição de grande estrela. Tanto que no ano seguinte, num concurso instituído pelo jornal “O Globo”, nossa grande intérprete leva o troféu de Revelação Feminina de 1955.




Imagem e Acervo: Gabriel Gonzaga


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