segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Neyde Fraga - Tá Moiado, Tá / Juca

Neyde Fraga e Roberto Amaral, em 1954

Hoje, levamos a vocês a “voz-veludo” de São Paulo, Neyde Fraga.

Neyde iniciou sua carreira no início dos anos 40, cantando em programas das rádios Cultura e Cruzeiro do Sul, em São Paulo. Fez história atuando na Rádio e TV Record. Iniciou sua carreira discográfica em 1950 com o surgimento da gravadora Elite Especial, que visava o público local e seus artistas. Inicialmene restrita ao público paulistano, alcançou sucesso nacional em 1953, com "Jambalaya" e "Lili", já na multinacional Odeon.

Esta gravação, realizada em 1951, tem diversas curiosidades. Primeiramente, retrata Neyde já veterana, com mais de dez anos de carreira, mas iniciante na música em conserva. Seu repertório, sempre brejeiro, já se mostra amadurecido, interpretando gêneros que ainda não eram tão assimilados por mulheres. O primeiro número é um delicioso baião, de autoria de Rômulo Paes e Adoniram Barbosa (sim, existe vida além de Saudosa Maloca e Trem das Onze). O outro, um choro de Hervé Cordovil, famoso compositor e maestro da Record, e Raul Duarte.

Gostaria ainda que vocês atentassem à orquestração das duas canções. A orquestra não é creditada, mas creio que seja do Maestro Clóvis Mamede, que era o regente e arranjador desta gravadora, pelo menos nos primeiros tempos. Os gêneros populares, como o choro e baião, costumavam ser acompanhados apenas por conjunto, dando um sabor mais regional e brasileiro ao instrumental. Em “Tá Moiado, Tá”, os metais são dignos de uma boa “big-band” e, não só as cordas agudas e médias são utilizadas com muito bom gosto e inteligência, como existem várias surpresas harmônicas, criando acordes e efeitos no mínimo inusitados para um baião. Em “Juca”, toda a agilidade do choro é transportada para essa grandiosa orquestra. Este é um disco de incrível apuro técnico e artístico, que o Chiadofone disponibiliza a todos os nossos visitantes!

Noutra ocasião, que certamente existirá, pois Neyde merece ser revisitada, falaremos mais sobre seu canto. Mas nesse primeiro contato, não há muito o que falar, pois ela é um caso de se “ouvir para crer”.










3 comentários:

Camila disse...

Não conhecia Neyde Fraga, nem sabia que a Elite Special era um selo que dava atenção especial aos artistas paulistanos. Alguma diferença peculiar na sonoridade da Elite em comparação com a Victor ou a Odeon na mesma época? A produção paulistana da Columbia ou Arte-Phone, nos anos 30, são bem diferentes da produção carioca da Victor ou da Odeon.
Abraço!

Gabriel Gonzaga disse...

Oi Camila!
A Neyde foi uma das maiores estrelas de São Paulo, ao lado de Elza Laranjeira e Isaurinha Garcia.
Na parte técnica não sinto muita diferença entre as gravadoras, pois no início dos anos 50, os discos ainda chiavam bastante, como os dos anos 40. Mas logo isso mudou. A Elite Special era fabricada e distribuída pela Odeon, então sua qualidade era um pouco melhor. Por essa gravadora passaram nomes de destaques de São Paulo, que só teriam outra chance tempos depois, como Roberto Amaral, Demônios da Garoa, Homero Marques, Dupla Ouro e Prata e vários compositores daqui.
Abraços!

druca disse...

Neyde Fraga era uma artista muito versátil. Gravou vários gêneros musicais: no início dos anos 50 gravou uma versão para o sucesso americano "Jambalaya" e no final daquela década gravou também a versão de "Estúpido Cupido", isto é, um rock. Talentosíssima.