sábado, 2 de agosto de 2008

Sons da Paulicéia - I

Em um blog organizado por três rapazes de São Paulo, naturalmente não poderia faltar esta série de postagens a que dou início, agora: vozes, orquestras, composições e compositores paulistas.


Imagem: Vale do Anhangabaú nos anos 1920

A ênfase será dada aos artistas paulistas, ao repertório das gravadoras instaladas em São Paulo nas décadas de 1920 e 1930 (Arte-Fone, Brasilphone, Columbia, Gaucho, Imperador, Ouvidor), e aos registros de grandes gravadoras instaladas no Rio de Janeiro que, com relativa freqüência, faziam temporadas de gravações em São Paulo. Tais temporadas eram ocasionalmente noticiadas na imprensa da época, como pude encontrar na coluna "Música e Discos" da revista O Malho, e também podem ser notadas pelo repertório e artistas envolvidos (gravadora Parlophon) ou até mesmo pelas fichas técnicas de gravação que chegaram ao nosso alcance (gravadora Victor).

Ressalto que a gravadora Columbia será presença muito constante nesta série, tanto pela quantidade de gravações disponíveis ainda hoje, como pela qualidade técnica de seus discos, pelo vasto repertório musical e pela diversidade de artistas que nela gravaram.




Coleção do autor

A gravação escolhida para este início foi "SÃO PAULO GRANDIOSO", marcha de Francisco Malfitano e Aloysio Silva Araujo, na interpretação de Déo acompanhado pela orquestra de José Nicolini (ou Niccolini, conforme o disco...), lançada no final de 1936 ou início de 1937 em disco Columbia.






Curiosidades: o cantor e os compositores eram cariocas, tendo Déo (Ferjalla Rizkalla, filho de libaneses) e Francisco Malfitano iniciado suas carreiras artísticas no rádio paulista, sendo muito provável que esta gravação tenha acontecido quando ambos trabalhavam na Rádio Record. E no coro desta música, como em muitas outras lançadas na série 8000 da Columbia, nota-se a presença de Lais Marival, cantora que em breve aparecerá nesta série, em excelentes gravações.

Bem, aí irão me perguntar: e quanto ao outro lado do disco, "Colombina da fuzarca"? Aguardem a próxima série de postagens, sobre o eterno triângulo amoroso de Colombina, Pierrot e Arlequim!

4 comentários:

gaby disse...

ótima gravaçao e artigo muito bem redigido!Nao e ao acaso que percebe-se uma adorável tendencia de sensíveis jovens paulistas a este anacronismo musical.Dadas as muitas notáveis e invejáveis referencias.E espero anciosa para ouvir,o outro lado,que trata destes personagens tao queridos e poéticos da saudosa comédia dell'arte!

thiago mello disse...

Puxa é com muita felicidade que fiquei sabendo sobre o Chiadofone, quero agradecer vocês pelo belíssimo trabalho... Agora vou me deliciar com os textos, as imagens, e os sons lógico, que pelo que pude ver rapidamente, estão de primeiríssima linha! Que maravilha de blog!!! Um abração!

Marcia Weber disse...

Vi o comentário do Gabriel no "Quadradinho" do grande Loronix e cheguei aqui. Adorei o Blog e virei com freqüência...
Abraços

zecalouro disse...

Puxa! Não é todo mês que a gente vê um site assim tão legal. Vocês estão de parabéns pelo cuidado e detalhes.

Virei assíduo.

Sem perguntar, coloquei o Chiado no blogroll do Loronix e também no featured blog. Qualquer problema com isso, me avisa!

Parabéns e vida longa!

Abraços, zeca