sábado, 2 de agosto de 2008

Vinte e cinco perguntas para a Dama do Encantado

* Entrevista publicada originalmente na Revista da Música Popular, em outubro de 1954. Aracy (A) de Almeida entrevistada por Lúcio (L) Rangel *

L – Gosta de cantar?
A - Não.
L – E de homem?
A – Adoro.

L - Que acha de Noel Rosa?
A - Divino.
L - E Pixinguinha?
A - Idem.
L – Gosta de cachorro?
A – Muitíssimo.
L – E de comida?
A – Um pouco chato a gente ter de comer.
L - Que acha do uísque falsificado?
A – É a morte.
L – Trocaria um tango por uma palestra?
A – Troco sempre.
L – Qual o maior cantor de todas as épocas?
A – Meu bom Sílvio Caldas.
L – Seu mal é comentar o passado?
A – Vivo do presente, de acôrdo com minha religião.
L – Qual a sua religião?
A – Protestante.
L – Dos livros da Bíblia, qual o seu preferido?
A – O Eclesiastes, aquilo é puro existencialismo.
L – Podendo salvar apenas um, quem livraria de um naufrágio, Caími ou Paulinho Soledade?
A – Caími.
L – Que acha do Barão Stuckart?
A – Não tenho palavras (ou palavrões) para defini-lo.
L – Cite um novo que valha a pena?
A - Antônio Maria.
L – Já cantou músicas dele?
A – Fui eu quem mais gravei músicas de Maria.
L – Com sucesso?
A – Noel, na época, também não fazia sucesso.

P - Já teve vontade de ter um capote agneau rasé?
A - Não gosto de capotes.
L - E de granfinos?
A - Uma quadrilha de chatos, chatos com galochas.
L - E de Bidú Sayão?
A - Rabolina de Bayer.
L – Gosta da popularidade?
A – Detesto.
L – E de homens de bigodinho?
A – Gosto e você sabe, tenho dois deles.
L – Defina um louco?
A – Um sujeito que se viu livre.
L – Ary Barroso?
A – Gosta de cartaz e de pixar os amigos.
L – Quem não deveria ter morrido?
A – Na minha família não morre ninguém há cincoenta anos.
L – Para terminar, diga alguma coisa que ainda não foi perguntada?
A – Gostaria de falar com entusiasmo sôbre São Paulo, minha maior ternura.

2 comentários:

Djalma M.C. disse...

Charles, adorei! Araca está impagável como sempre.

Tem aquela história que, ao ser questionada sobre música, Aracy afirmou colecionar discos de ópera e que adorava "aquele berreiro todo". :)

Charles Bonares disse...

Pois é, Djalma, postei esta entrevista porque a Araci está mesmo inspirada.

Acredito que a gostar de ópera ela deve ter começado já mais velha. Afinal, nunca me canso de ouvir das pessoas que ópera é coisa de velho... poverina!