sábado, 4 de outubro de 2008

A linda flor Araci Cortes

Araci Cortes, em 1929.

Em 1929, Araci Cortes firmara-se como uma das maiores estrelas musicais do país. De um lado, consagrara-se no disco ao gravar, no ano anterior, Jura! (Parlophon 12868) e Iaiá (ai yoyô) (Parlophon 12926), razão pela qual passou a ser procurada pelos compositores que viam em sua voz a possibilidade de se consagrarem; de outro lado, integrou dois espetáculos de grande êxito, ao lado de nomes como Vicente Celestino e Henriqueta Brieba, e de grandes cômicos, como Palitos e Mesquitinha.



Marcada para estrear em 25 de abril, a revista teatral Laranja da China trazia a autoria de três personalidades do teatro de revista e da música brasileira: Júlio Cristobal, maestro da companhia do Recreio, Sá Pereira, compositor, e o novato Ary Barroso. Causou uma onda de protestos por conta de uma cena em que as coristas aspergiam uma água-de-colônia chamada Febre Azul sobre a platéia, composta na maioria por homens casados que, às escondidas, iam ao Recreio apreciar os "atributos" das atrizes. A cena foi retirada da revista, cujo êxito lhe valeu mais de cem apresentações, até maio/junho de 1929. Hoje, o Chiadofone apresenta um dos números desta revista, A polícia já foi lá em casa, de Júlio Cristobal e Olegário Mariano, registrado por Araci no disco Odeon 10426-A.

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A revista imediatamente subseqüente foi Vamos deixar de intimidade, nome aliás retirado de um dos êxitos de Araci em Laranja da China. Estreada em 07 de junho, também leva a assinatura de Ary, agora apoiado por Olegário Mariano. Dele, apresentamos o sucesso Tu qué tomá meu home, gravado por Araci em disco Odeon 10446-A.



Roberto Ruiz, na biografia de Araci, nota que as revistas deste período opunham-se às manobras do Catete para a eleição de Júlio Prestes à presidência do Brasil. Pouco tempo depois, em 1930, estourou a Revolução.

discos: coleção Djalma M.Cm.

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