domingo, 28 de setembro de 2008

Sons da Paulicéia V - "Ronda" por Inezita Barroso

Atendendo ao pedido feito por Edy Star no nosso "espaço do leitor", eis a gravação original do samba RONDA, de Paulo Vanzolini, gravado por Inezita Barroso no Rio de Janeiro em 03/08/1953, e lançado no disco 78 rpm RCA Victor 80-1217 em novembro de 1953.


coleção do autor



Já se escreveu TANTO na internet (e fora dela) sobre esta gravação, que apenas indicaremos alguns links para bons textos e entrevistas:

http://www.mundomundano.com.br/v1/?com=secao_conteudo&secao=4&conteudo=14

http://cliquemusic.uol.com.br/br/Servicos/ParaImprimir.asp?Nu_Materia=1490

http://www.rodaviva.fapesp.br/materia/261/entrevistados/inezita_barroso_2002.htm

domingo, 21 de setembro de 2008

Dalva de Oliveira na Rádio Tupi, 1952

Em 1952, depois de retornar de uma excursão à Europa (onde se apresentou na França, Espanha, Inglaterra e Portugal), Dalva de Oliveira encerrou seu contrato com a Rádio Nacional e foi contratada pela Rádio Tupi, onde estreou em 03 de novembro, uma segunda-feira. Neste post, destacamos gravações realizadas nos três primeiros programas, entre o período 03/11/52 e 17/11/52, portanto. Todos os arranjos foram feitos pelo maestro Carioca. Os fonogramas provêm de um LP lançado em 1988 pela Collector’s Editora do Brasil Ltda.

Comparecem aqui versões para o rádio de interpretações famosas no disco, como Tudo acabado (Odeon 13.002-A, 1950), Kalu (Odeon 3361-A, 1952), Poeira do chão (Odeon 13233-B, 1951), Fim de comédia (Odeon 3361-B, 1952) e A grande verdade (Odeon 13173-A, 1951). Mas a novidade é uma versão de Caminhemos (lançada por Francisco Alves em disco Odeon 12810-B, 1947), composição do ex-marido de Dalva, Herivelto Martins, jamais registrada por ela em disco. O arranjo do maestro é quase o mesmo da gravação de Chico Alves, mas com um importante reforço dos metais, bem ao gosto dos anos 50. Este é o único registro de Dalva cantando esta música.


Sons da Paulicéia IV - Grupo do Canhoto e Grupo dos Chorosos (Odeon 120.600)

Catálogo de discos da Casa Edison, suplemento de 1913. Ampliando a imagem, lá está o Odeon 120.600, postado aqui no Chiadofone.

Conta-nos Humberto Franceschi (2001, pp. 180 e 181): “A primeira série de gravação paulista da Casa Edison durou dez dias, de 16 a 26 de junho de 1913. Foram 82 ceras gravadas por Oscar C. Preuss e receberam duas numerações simultâneas: uma, em conformidade com a série a qual pertenciam, a Odeon 120.000, sem interrupção do n.º 120.589 a 120.670. A outra, para as mesmas gravações, corresponde apenas ao índice paulista: de SP 1 até SP 82. Nessa série estão o Grupo do Canhoto, o terceto de Francisco Oliveira Lima, a Banda Ettore Fieramosca, a Banda da Força Policial de São Paulo, a Banda Veríssimo Glória e os solos de harmônica de Giuseppe Rielli”.

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Livro de registros da Casa Edison em São Paulo. Nele comparece o Odeon 120.600.

As sessões de gravação repetir-se-iam ainda entre 8 e 16 de dezembro de 1913 (abrangendo as séries Odeon 120.000, 137.000 e 10.000) e entre 5 e 8 de junho de 1914 (ainda para a série Odeon 120.000).

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sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Patrício Teixeira

Violonista, cançonetista, cantor. Cantou com os Oito Batutas e terminou professor de Nara Leão. Começou com emboladas e modinhas, mas chegou ao samba & coro da Victor. Conviveu com os decanos do samba – Donga, João da Bahiana, Sinhô – e com os grandes ídolos do rádio. Popularíssimo nos programas da rádio Mayrink Veiga. Imortal, este que foi um dos primeiros cantores do que hoje chamaríamos pop.


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Cartaz dos Oito Batutas acompanhados de Patrício Teixeira, ca. 1918.



Bambo bambu, Odeon Record 122961, ca. 1925
Gavião Calçudo, Odeon 10436-A, 1930
Não tenho lágrimas, Victor 34193 (gravação 13.05.37, lanç. agosto)
Meu segredo, Victor 34289-A (gravação 17.02.1938, lanç. fevereiro)
Desengano, Victor 34391-A (gravação 04.10.1938, lanç. dezembro)
Sete horas da manhã, Victor 34819-A (gravação 05.08.1941, lanç. novembro)







discos: coleção Djalma M.Cm.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Thais Diane - Água de Beber / Clopin Clopant

Olá a todos! Hoje, mais um mistério em 78 rotações...

Eis uma cantora de que nunca ouvi falar, exceto por este único disco que gravou. Uma mistura de Maysa, com Rosana Toledo, com Ângela Maria da década de 60. Nas minhas pesquisas, nunca encontrei qualquer referência sobre Thais Diane ou sobre este 78 rpm, gravado em 1962. Imagino que ela seja mais uma "cantora da TV", que geralmente eram muito bonitas e tinham um baita vozeirão. Talvez ela tenha sido uma cantora da noite que teve uma chance numa gravadora...

Nesta época, era quase obrigatório um disco ter uma canção de Tom Jobim ou dos compositores ligados à bossa nova. A música em questão, Água de Beber, foi apresentada no filme italiano "América de Noite", que retratava as "peculiaridades" da vida noturna do Brasil e dos nossos vizinhos. A nossa intérprete devia ser uma cantora de gêneros estrangeiros, pois sente-se que ela não está à vontade cantando um samba. Tanto é que a parte boa do disco é o lado B, que traz um rock-balada. E olha que não sou fã dessas coisas americanas!

O instrumental é do excelente Maestro Guio de Morais, que, infelizmente, errou a mão nestas gravações, principalmente no "Água de Beber". A gravação foi mal equalizada, com um acordeon quase estourando os outros instrumentos. No todo, o disco não chega a ser ruim. O que estraga é justamente a tristeza que ficou a gravação da bela canção do mestre Jobim.



sábado, 6 de setembro de 2008

As primeiras gravações de Elizete Cardoso


Hoje, o Chiadofone lhes traz as primeiras gravações de Elizete Cardoso, três delas lançadas originalmente nos 78 rpm 5010 da gravadora Todamérica ("Canção de amor", em 1950), 5052 ("Dá- me tuas mãos, em 1951), 5513 ("Tormento", 1954), mas duas delas "Alguém como tu" e "Quem diria", figuram pela primeira vez no LP de 1955, intitulado "Canção de amor", lançado pela Todamérica (LPP-TA-18), donde procedem as gravações que ilustram este post.

O início da carreira artística de Elizete Cardoso foi marcado com a presença de Jacob do Bandolim e seu conjunto, do qual faziam parte Dilermando Reis e Luiz Bittencourt. Foi em casa do seu tio Juca, que já a havia apresentado como precocidade no extinto Clube Cananga do Japão, que Elizete cantou o samba "Do amor ao ódio", de Luiz Bittencourt. Como resultado desta festinha, Elizete, pelas mãos de Jacob, veio fazer um teste na Rádio Guanabara. Foi aprovada e escalada no "Programa Suburbano", famoso na época. Cantava ainda na Transmissora, na Educadora e na Mayrink Veiga. A seguir, abandonou o rádio por dificuldades financeiras. Foi trabalhar, em várias profissões, até que, em 1947, a convite de Sérgio Vasconcelos, passou a integrar, em definitivo, o "cast" da Guanabara.

"Canção de amor", samba de Chocolate e Eliano D. Paula, surgido em 1950, foi o primeiro passo para o sucesso definitivo e que serviu para coroar o esforço e os méritos da cantora dona de uma das mais belas e queridas vozes de nossa música popular.



quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Sons da Paulicéia - III


A melodia instrumental é representada no Chiadofone por estas duas gravações ("Teus olhos" e "Pensamento", Odeon 10.115) de Américo Jacomino, o Canhoto, realizadas em maio de 1928 na Casa Edison.

Diz o Dicionário Cravo Albin: “Filho de imigrantes napolitanos, Américo Jacomino, o Canhoto, foi virtuose canhestro do violão. Autor de afamado repertório violonístico, no qual se sobrepõe Abismo de rosas, o paulista Canhoto morreu prematuramente em São Paulo, em 1928".

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Dalva & Tom

Hoje o Chiadofone lhe traz um presente duplo: Dalva de Oliveira em quatro músicas regidas pela Orquestra de Antônio Carlos Jobim, em matrizes de 1955 e de 1957.

Em comum, as quatro gravações trazem o tema do sofrimento amoroso, uma temática muito freqüente na MPB desde o final dos anos 30. Na esteira de Odete Amaral e da Aracy de Almeida dos anos 40, Dalva de Oliveira representa o ponto mais alto de uma tradição oposta ao ideário carnavalesco e, embora tenha gravado alguns dos melhores sambas dos anos 50, destacou-se também nos sambas-canção, no tango e no bolero.

A crítica musical dos anos 70 e 80 rechaçou este repertório passional como “fossa” e “dor-de-cotovelo”, integrando o repertório da chamada “geração do não” (de que posso citar muito do que gravou Maysa, Dolores Duran, Dalva e Ângela Maria). É um tipo de produção que rivaliza com a suavidade da bossa nova e, no que concerne aos temas, antecipa as canções da Jovem Guarda. No tropicalismo, as canções de fossa receberam tratamento de tradição antiquada, “careta” e alienada, assim como muitos dos intérpretes, que tiveram de reciclar-se para continuar subsistindo no cenário musical. Daí, por exemplo, Dalva de Oliveira voltar ao samba e os Mutantes terem gravado a versão horripilante de “Bom dia” no mesmo ano, 1968.

Talvez por conta deste ostracismo, que tem muito que ver com o nascimento da cultura jovem e de ritmos como o rock e a bossa nova, a produção do Tom Jobim antes de 1958 seja quase desconhecida do público atual.

Dalva interpreta, de Marino Pinto e Mario Rossi, “Não pôde ser”, samba-canção de extrema delicadeza e sentimento, seguido de “Eterna saudade” (Genival Melo e Luiz Dantas), registradas no 78 rpm Odeon 13.906 (1955). Em seguida, de Lupicínio Rodrigues, o samba-canção “Há um deus” e o bolero “Serei só tua” (Rômulo Paes e Nelson Scheffick), registrados no Odeon 14.259 (1957). Para ouvir com os ouvidos e com o coração.




segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Alda Perdigão - Casamento da Princesa / Medo de Gostar



Hoje, vamos falar de Alda Perdigão, uma cantora relativamente conhecida, embora poucos tenham seus discos e conheçam a sua voz.


Alda começou a contar aos cinco anos de idade, em dupla com o irmão Osnir. Em 1950, ganha o concurso "A Mais Bela Voz Juvenil de Sâo Paulo". Logo, assina contrato com a TV Tupi, ficando pouco tempo lá. Em 1952, assina com a Organizações Vitor Costa - TV Paulista, onde reinou por vários anos. Foi ainda um grande cartaz da Ràdio Nacional Paulista. Tinha grande presença cênica, o que contava muitos pontos nas emissoras de TV. Participou da inauguração de diversas emissoras pelo Brasil. Cantora eclética, gravou desde músicas de carnaval, a sambas (gravou um LP inteiramente de sambas) e Bossa Nova.


Estas duas gravações que levamos até vocês são de 1956. "O Casamento da Princesa" foi um grande sucesso, que contribui bastante para que fosse considerada uma das melhores cantoras de São Paulo. Esta marcha, conta a história de uma princesa que se apaixonou por um rapaz que não era da realeza. Mas a tal Família Real não gostou e não autorizou o casamento. Se não me engano, essa história foi real. Alguém saberia se isso realmente aconteceu?

Alda Perdigão foi uma grande cantora, que merece ser lembrada com todos os louros que recolheu por sua atuação brilhante na nossa música!


Um agradecimento especial a Thais Matarazzo, pela atenção de enviar os dados biográficos.