sábado, 17 de janeiro de 2009

Entre o pé do anjo e o samba da madrugada

Existiria uma lacuna de sete anos entre o primeiro disco de Francisco Alves (Pé de anjo, Popular N1007, 1919/1920) e o seu primeiro grande sucesso na Casa Edison (Samba da madrugada, Odeon Record 123271, jan. 1927), não fosse a ilustre presença do disco Odeon 122649, gravado por Francisco Alves em 1924 (MIUDO, Samba Carnavalesco de Sebastião Santos Neves, com Grupo do Sebastião, Cantado por Francisco Alves e côro). O coro é o dos artistas do Theatro São José, onde Francisco Alves e sua irmã Nair Alves trabalhavam. O nome de Francisco Alves não aparece no selo do disco. O único exemplar conhecido do disco foi localizado no Sul do país e doado ao pesquisador Abel Cardoso Junior (por quem a foto acima foi realizada, pertencente ao acervo Roberto Gambardella) no início da década de 1990, após décadas sendo considerado perdido. Atualmente, o disco pertence ao colecionador Leon Barg, de Curitiba. Para facilitar a audição da música, transcrevemos a letra:

Miúdo

Teu cabelo está estrela
A verdade um fato é
O samba é complicado
Compreenda como quiser

Refrão
É nesta canção
Que valor não tem
É nesta canção
Que valor não tem
Teu pezinho é gelado (ui)
Diz esta canção

Quatro compassos não é música
Ora bolas que pipoca
Isso acaba fatigando
O pessoal carioca (2x)

Refrão

Uns escrevem minha santa
Ah e outros minha querida
Quatro compassos não é música
Vão procurar outra vida.



Permanece, ainda, uma lacuna na discografia de Francisco Alves: o disco Odeon Record 122666/122667 com as marchas carnavalescas de Freire Junior NAO ME PASSO PRA VOCÊ e MADEMOISELLE CINEMA, gravadas pouco tempo depois de Miúdo.

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