domingo, 12 de julho de 2009

Hebe Camargo - Baião Caçula / Testemunha

Sim, é ela mesma. A mesma que todos assistimos pela TV desde que nascemos. Hoje, o Chiadofone focaliza a moreníssima Hebe Camargo.



Nascida em 8 de março de 1929, Hebe Maria Camargo veio de uma família musical, onde o pai era músico e suas irmãs e primas também cantavam. No início da década de 40, já participava de programas de calouros, onde a sua interpretação alegre e brejeira de sambas e ritmos regionais costumava fazer sucesso. Pelas suas atuações solo, ecos de seu sucesso já eram ouvidos até no Rio de Janeiro! Formou ainda o "Quarteto Dó Ré Mi Fá", parafraseando as Andrews Sisters, agradando bastante em suas audições na Rádio Tupi. Desfazendo-se o quarteto, forma com a irmã Estela a dupla "Rosalina e Florisbela", que teve duração efêmera nos microfones da Rádio Difusora. Após a dissolução da dupla, em 1948, assume de vez a carreira solo e assina, novamente, com a Rádio Tupi.

Em 1950, foi figura marcante num dos principais eventos brasileiros do século XX: a inauguração da Televisão no Brasil. E da tela nunca mais saiu, sempre com grande destaque e programas exclusivos.

Em 1952, transfere-se para a TV Paulista - Canal 5 (Hebe, a própria cara do SBT, indiretamente já partenceu à Globo, já que em 1965 a emissora seria encampada por Roberto Marinho). Na nova emissora, quando da falta de Ary Barroso na apresentação de seu programa de calouros, Hebe foi escalada para substitui-lo. E saiu-se tão bem que passou à frente de vários programas, assumindo sua condição de grande estrela no cenário paulistano, seja cantando ou apresentando. Em 1955, cria "O Mundo É das Mulheres", primeiro programa feminino da TV brasileira, que seria apresentado em duas audições semanais; uma no Rio e outra em São Paulo. Sua carreira discográfica foi bastante intensa nos anos 50, repleta de sucessos. Cada vez mais famosa no Brasil inteiro, no início dos anos 60 relega a segundo plano sua vertente cantora para assumir de vez o trono (ou sofá) de Dama da televisão brasileira. Faz um último registro em 1966 e só voltaria a gravar em 1998. Hoje, o Chiadofone leva até vocês um momento de 1952.


Os nossos amigos colecionadores certamente já cansaram de encontrar este disco pelos sebos da cidade. Não é a toa. Além da sua popularidade, que já garantia uma boa vendagem por aqui, o "Baião Caçula" fez muito sucesso e mereceu diversas gravações. O talentoso Mário Gennari Filho soube bem tirar proveito da febre que o baião causou no Brasil; mas longe de qualquer oportunismo, compôs esta delícia de música, onde o acompanhamento acelerado que a multinacional Odeon imprimiu à gravação torna praticamente irresistível um convite a um bom xaxado pela sala. O lado B traz um gostoso samba, evidenciando o canto sentido e extremamente personal de Hebe. Arrisco até dizer que não deve nada a uma boa gravação de Isaurinha Garcia.



Notem, neste clique de 1958 (com Hebe já loira), que o mítico sofá já estava lá

Eis mais uma homenagem que o Chiadofone presta a uma importante figura da nossa música. Viva a "Moreninha do Samba"!





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