domingo, 20 de setembro de 2009

Dircinha Costa - Neurastênico / À Luz da Lua Prateada



Olá a todos!
Este que vos escreve, guarulhense de nascença e paulistano de coração, reside, atualmente, na Cidade Maravilhosa. E não é por conta dessa nova situação que deixaremos de lado a nossa cruzada em prol da boa música feita em São Paulo! Como já tratamos anteriormente, a música feita nos dois polos era bem distinta, cada qual com seus próprios astros e estrelas, sendo que o Rio levava a melhor, pois suas rádios (principalmente a Nacional) tinham alcance no Brasil inteiro. E hoje, com muita saudade, focalizamos Dircinha Costa, uma das figuras mais populares da Paulicéia.



Dircinha nasceu Maria José Pereira da Silva, na cidade de Bauru/SP em 26/8/1930. Na mesma cidade, já cantava nas rádios locais e em programas de calouros até que muda-se para São Paulo em 1940. Conforme diria em entrevista concedida ao jornal "O Dia" em 1954, começara a levar ainda mais a sério os programas de calouros. Assim, além de de se aproximar do seu objetivo de tornar-se cantora de rádio, ajudava a família com os cachês e prêmios que ganhava. Sua voz bonita e doce logo chamou a atenção de Ivo Peçanha, responsável pela Rádio Cruzeiro do Sul, que a contratou por 6 meses. Terminado o contrato, Blota Júnior, olheiro de sorte, contratou Dircinha para atuar na Rádio Record. Lá também permaneceu pouco, pois sua atuação era escassa e se sentia apenas mais uma naquele imenso "cast". Desgostosa, retirou-se de cena, isso em 1947, para retornar em 1950, sob contrato com a Rádio Bandeirantes.



Lá as coisas começaram a acontecer. Seu prestígio e popularidade cresceram verticalmente e logo era a principal cantora do seu elenco. Começou a gravar pela Columbia e sua voz deixou, aos poucos, de ser apenas um fenômeno local. Foi ainda sob o domínio da PRH-9 que Dircinha conheceu muitos estados do Brasil e foi candidata a Rainha do Rádio Paulista em 1954. Infelizmente, não levou o título, que ficou com Juanita Cavalcanti, mas ainda assim imperava na Rádio Bandeirantes. Alegre e festeira, gostava de gritar "Viva o Corinthians" para incitar o carisma (ou a ira) dos auditórios por onde passava. Falava o que pensava, acumulando até alguns desafetos na sua passagem pela vida artística. Ainda retornaria para a Record em 1958, onde teria como amigas, entre outras, Neyde Fraga e Elza Laranjeira, suas velhas amigas desde o tempo de Rádio Cruzeiro do Sul,ambas já focalizadas aqui no Chiadofone. Em 1960, assina com a gravadora Copacabana, onde grava poucos discos, ao passo que também suas aparições na TV também começam a ficar mais espaçadas. Em 1964, com uma nova ordem musical já imperando, Dircinha abandona de vez a carreira.




Dircinha tinha um jeito diferente de cantar, até, digamos, avançado para a época. Era um canto suave e doce, não necessariamente sexy, mas tinha um quê meio "safadinho", como diria a cantora e sua amiga Luely Figueiró. No lado A, está o famoso fox "Neurastênico", grande sucesso de 1954 que, além de sua gravação e a do autor Betinho, ainda seria gravado pel'Os Cariocas, Raul de Barros, Sylvio Mazzuca, Pernambuco e Gilberto Grossi. É curiosa a associação do bairro carioca de Jacarepaguá com a "neurastenia". Na época da composição, o bairro era pouco habitado pois é bem afastado do centro, no extremo oeste do Rio. E a pessoas que não estavam "bem da cabeça", recomendava-se uma temporada lá pra se desligar dos problemas da cidade. Fazendo um paralelo, seria o equivalente à recomendação de uma temporada na região da Avenida Paulista àqueles que sofriam de tuberculose, no final do século XIX. No lado B, temos o fox "À Luz da Lua Prateada". Dircinha era especialista na interpretação de foxes, sendo este o gênero predominante nos seus discos. E nesta face do disco, temos Dircinha numa excelente interpretação, de letra bem ousada (bem ao seu estilo também), que nos dá a prova real do porquê de ser uma das strelas mais requisitadas de São Paulo.

Seus discos, infelizmente, não são tão fáceis de se achar. Mas a questão é: não conheci ninguém que tenha ouvido e não tenha gostado! Aproveitem e comentem!





P.S.: Quando a música é boa, não importa a sua origem. Porém, já sinto o espírito do rádio carioca me invadindo! Aguardem novidades!

5 comentários:

Th@is M. disse...

Oi Gabriel, parabéns por relembrar a querida Dircinha Costa, vc confirmou numa verdade: Não quem escute e não goste da intepretação de Dircinha!

Isso mesmo São Paulo também sempre produziu boas músicas, não deixou nada a dever para o Rio, ficou faltando apenas mais divulgação.

Abraços

Charles Bonares disse...

Eita! Nem eu sabia que a Dircinha tinha gravado o Neurastênico!

Charles Bonares disse...

Puxa, Gab, que saudades! Boa sorte aí nestas terras. Abraços.

flavia disse...

Muito bom ver que a memória da minha Vó...continua viva!!!
obrigada pelo carinho....e "viva o corithians"!!!!!!!

Milton Baungartner disse...

Olá Gabriel,
O lado B deste disco da Dircinha é uma versão da canção "By the light of the silvery moon", de 1909. Pouco sei sobre ela, mas parece ser bem popular dentro do repertório tradicional norte-americano. Ao menos eu a ouvi no filme "Sonhos dourados", a cinebiografia de Al Jolson de 1946, cantada por ele quando menino.