domingo, 29 de março de 2009

O mágico ano de 1930 - Francisco Alves


O Chiadofone começa hoje uma série de posts sobre o mágico ano de 1930. Com a crise de 1929, a indústria fonográfica viu-se obrigada a encarar uma disputa brava para decidir quem continuava no mercado e quem seria devorado pela crise internacional. Se, de um lado, a Brunswick e a Parlophon fossem extintas (por questões várias, inclusive a crise), o brasileiro saiu ganhando: a Victor e a Odeon se impuseram graças à dupla ímpar grandes compositores + cantores insuperáveis.

Começamos nossa série com as gravações de Francisco Alves para o ano de 1930. No catálogo, "Dá nela", vencedora do carnaval daquele ano.

Continuaremos nossos posts sobre este ano destacando nossa pequena notável. Aguardem!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Ikuta Keiko (K. Furuno) - Paraíba

Olá a todos!
Hoje, um post onde, infelizmente, não há muito o que falar. Por dois motivos:
1-É de se ouvir para crer.
2-Nada descobri acerca da cantora e da gravação.

Rosa Miyake

Difícil precisar sua data, local de gravação (Japão ou Brasil) ou mesmo o seu nome completo por trás desse "K". A única coisa que posso afirmar com certeza é que nossa amiga nipônica é acompanhada por músicos brasileiros. O ritmo bem marcado não deixa dúvidas!

Entretanto, esse disco joga luzes sobre um tema interessante: a questão musical da colônia oriental no Brasil. Quem tem o hábito de caminhar pelos sebos do bairro da Liberdade, em São Paulo, certamente já se deparou por várias vezes com 78's escritos em japonês. Nunca tive a curiosidade de comprá-los, mas deve se tratar de música tradicional ou qualquer outro estilo ouvido na Terra do Sol Nascente. Esta curiosa versão do famoso Paraíba já mostra uma colônia integrada ao Brasil, seus ritmos e costumes, interagindo com ela ao invés de se isolar em seus próprios hábitos.

Provavelmente, esta gravação foi feita em 1951, o que faz com que essa interação com o Brasil se torne ainda mais interessante, uma vez que seus primeiros integrantes haviam chegado aqui para ficar há menos de 50 anos. E em pouco tempo essa semente renderia ótimos frutos! Um deles seria a gravadora Califórnia, que, fundada em 1958, tinha em seu cast vários cantores japoneses. E anos mais tarde, a excelente cantora Rosa Miyake, ícone da Jovem Guarda e que assim com a nossa K. Furuno, cantaria de tudo, sem nunca abandonar as raízes!





sábado, 7 de março de 2009

Rio nights

A partitura de "Rio nights", com cactos e trajes típicos mexicanos. Vem de longe isso de que os americanos pensam que a América Latina é toda igual...

Consegui há pouco tempo, num site de torrents, baixar cerca de duzentas e cinquenta gravações originalmente em cilindro. Todas as gravações são americanas, e o repertório, com algumas exceções, é popular.

Decidi fazer este post com uma gravação que me chama a atenção. É uma canção chamada "Rio nights", de dois compositores americanos, Elmer Vincent e Fisher Thompson. A gravação, de Betsy Lane Shepherd e Charles Hart, data de 1921, um ano depois da composição. Eis a letra:

When night has fallen down in dear old Rio,
Down in dreamy old Brazil;
The stars begin to shine, and one that I call mine,
Just waits for me,
I know she loves me still.
The fleecy clouds like mantles hide the hilltops,
There beside the southern sea;
At this bewitching hour, beneath an old rose bower,
Somebody there is lonesome just for me.
Rio nights are full of silent splendor,
When the tropic moon is in the sky,
I keep growing fonder,
Every time I wander,
With a maid who is so sweet and shy,
Romantic Rio weaves a spell around you;
Golden hours we spent so bright and gay,
You just want to spoon,
Parting comes too soon;
When you linger down that Rio way.
When night has fallen down in dear old Rio,
Down in dreamy old Brazil;
The one I call my own,
Is now no more alone,
I sit beside her there when all is still.
The fleecy clouds like mantles hide the moonlight
Out beyond the harbor lights;
But at this wooing hour, we sit beneath our bower,
United once again on Rio nights.

A canção me chamou a atenção porque é um elogio à então capital do Brasil muito tempo antes de nossas paisagens e de nossa cultura despertar a atenção internacional. A única referência musical sobre o Brasil que eu conhecia até esta gravação era o papel do "Brasileiro", na opereta "La vie parisienne", de Offenbach. E lá não havia nenhuma razão para o Brasil ser elogiado...

Provavelmente, a canção seja fruto de alguma viagem aventureira de um dos compositores. Pena é saber que, quase cem anos depois, não há nenhuma razão para amarmos as noites de luar cariocas.