quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Carnavais brasileiros - ano de 1954




O catálogo de partituras das Edições Irmãos Vitale apresentou cerca de 93 sucessos para 1954, o ano do penúltimo grande carnaval brasileiro - na opinião modesta deste que vos escreve. Entre os sucessos, o Chiadofone hoje traz 23, entre os inesquecíveis, as curiosidades e as boas músicas, mas não famosas do grande público.






Neste carnaval, destacam-se os sucessos “História da maçã”, “Vagalume”, “Não posso mais” e “Saca rolha”, que dispensa apresentações. Os casos mais curiosos deste post são a marcha “Ai, ai Janot”, gravada por Elizete Cardoso e o samba “Em Mangueira”, gravada por Dóris Monteiro, duas intérpretes cuja figura em geral é associada à bossa nova.







01 - Jorge Veiga - História da maçã (marcha de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, Copacabana 5174a, dezembro de 1953)
02 - Anjos do Inferno - "Qualquer preço" (samba de Arnô Canegal e Barão, Copacabana 5175a, dezembro de 1953)
03 - Jorge Veiga - Não posso mais (samba de Haroldo Lobo, Milton de Oliveira e Claudionor Santos, Copacabana 5187a, janeiro de 1954)
04 - Risadinha - Eu quero rebolar (marcha de Otolindo Lopes - Arnô Provenzano, Odeon 13577a, grav. 27.10.1953)
05 - Risadinha - Em cada coração um pecado (samba de Francisco Netto - Rosemberg - O. Silva, Odeon 13577b, grav. 27.10.1953)
06 - João Dias - Don Juan (marcha de Wilson Batista e Bruno Gomes, Odeon 13579a, grav. 03.11.1953)
07 - Violeta Cavalcante - Vou levando (samba de Domicio Costa - Valzinho, Odeon 13582a, grav. 03.11.1953)
08 - Violeta Cavalcante - Vagalume (marcha de Vitor Simon - Fernando Martins, Odeon 13582b, grav. 03.11.1953)
09 - Diamantina Gomes e Zé e Zilda - Vendedor de pirolito (marcha de José Gonçalves e Zilda Gonçalves, Odeon 13584a, grav. 10.11.1953)
10 - Diamantina Gomes e Zé e Zilda - Jura (samba de Zé da Zilda - M. Ramos - Adolpho Macedo, Odeon 13584b, grav. 10.11.1953)
11 - Os 4 Amigos e João Dias - Vou beber pra esquecer (marcha de José Saccomani e Raguinho, Odeon 13587b, grav. 03.11.1953)
12 - Zé e Zilda - Saca-rôlha (marcha de Zé da Zilda - Zilda Gonçalves - Waldyr Machado, Odeon 13588a, grav. 27.10.1953)
13 - Zé e Zilda - Olha o côco sinhá (batucada de Zé da Zilda - Jota Reis - Adelino Moreira, Odeon 13588b, grav. 27.10.1953)
14 - Hebe Camargo - Eu não sou deus (samba de Fernando Lobo e José Roy, Odeon 13596b, grav. 02.12.1953)
15 - Jorge Goulart Com Vero E Sua Orquestra - Abre alas (samba de Belem – B. Lôbo – Inha, continental 16884a, janeiro de 1954)
16 - Marlene Com Severino Araujo E Sua Orquestra Tabajara - Marcha do tambor (de Jurandi Prates - Hianto de Almeida - Ewaldo Ruy, Continental 16892b, janeiro de 1954)
17 - Doris Monteiro Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Em Mangueira (samba de Mário de Camargo - Orlando de Soares Filho, Todamérica 5377a, grav. 17.11.1953)
18 - Virginia Lane Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Zé corneteiro (marcha de Lalá Araújo, Todamérica 5378a, grav. 12.11.1953)
19 - Elizete Cardoso Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Ai, Ai, Janot (marcha de Pedro Alves - Gerson Filho - Antônio Filho, Todamérica 5380a, grav. 12.11.1953)
20 - Elizete Cardoso Com Guio De Moraes E Seus Parentes - Amor que morreu (samba de Nelson Cavaquinho - Roldão Lima - Gilberto Teixeira, Todamérica 5380b, grav. 12.11.1953)
21 - Ademilde Fonseca Com Astor E Sua Orquestra - Uma casa brasileira (marcha de Wilson Batista - Everaldo De Barros, Todamérica 5381a, grav. 27.10.1953)
22 - Raul Moreno Com Astor E Sua Orquestra - Mulher de mau pensar (samba de Monsueto Menezes - Eloy Marques, Todamérica 5387a, grav. 08.10.1953)
23 - Raul Moreno Com Astor E Sua Orquestra - A fonte secou (samba de Monsueto Menezes - Tufy Lauar - Marcléo, Todamérica 5387b, grav. 08.10.1953)

Digitalização e acervo Djalma MC

domingo, 20 de setembro de 2009

Dircinha Costa - Neurastênico / À Luz da Lua Prateada



Olá a todos!
Este que vos escreve, guarulhense de nascença e paulistano de coração, reside, atualmente, na Cidade Maravilhosa. E não é por conta dessa nova situação que deixaremos de lado a nossa cruzada em prol da boa música feita em São Paulo! Como já tratamos anteriormente, a música feita nos dois polos era bem distinta, cada qual com seus próprios astros e estrelas, sendo que o Rio levava a melhor, pois suas rádios (principalmente a Nacional) tinham alcance no Brasil inteiro. E hoje, com muita saudade, focalizamos Dircinha Costa, uma das figuras mais populares da Paulicéia.



Dircinha nasceu Maria José Pereira da Silva, na cidade de Bauru/SP em 26/8/1930. Na mesma cidade, já cantava nas rádios locais e em programas de calouros até que muda-se para São Paulo em 1940. Conforme diria em entrevista concedida ao jornal "O Dia" em 1954, começara a levar ainda mais a sério os programas de calouros. Assim, além de de se aproximar do seu objetivo de tornar-se cantora de rádio, ajudava a família com os cachês e prêmios que ganhava. Sua voz bonita e doce logo chamou a atenção de Ivo Peçanha, responsável pela Rádio Cruzeiro do Sul, que a contratou por 6 meses. Terminado o contrato, Blota Júnior, olheiro de sorte, contratou Dircinha para atuar na Rádio Record. Lá também permaneceu pouco, pois sua atuação era escassa e se sentia apenas mais uma naquele imenso "cast". Desgostosa, retirou-se de cena, isso em 1947, para retornar em 1950, sob contrato com a Rádio Bandeirantes.



Lá as coisas começaram a acontecer. Seu prestígio e popularidade cresceram verticalmente e logo era a principal cantora do seu elenco. Começou a gravar pela Columbia e sua voz deixou, aos poucos, de ser apenas um fenômeno local. Foi ainda sob o domínio da PRH-9 que Dircinha conheceu muitos estados do Brasil e foi candidata a Rainha do Rádio Paulista em 1954. Infelizmente, não levou o título, que ficou com Juanita Cavalcanti, mas ainda assim imperava na Rádio Bandeirantes. Alegre e festeira, gostava de gritar "Viva o Corinthians" para incitar o carisma (ou a ira) dos auditórios por onde passava. Falava o que pensava, acumulando até alguns desafetos na sua passagem pela vida artística. Ainda retornaria para a Record em 1958, onde teria como amigas, entre outras, Neyde Fraga e Elza Laranjeira, suas velhas amigas desde o tempo de Rádio Cruzeiro do Sul,ambas já focalizadas aqui no Chiadofone. Em 1960, assina com a gravadora Copacabana, onde grava poucos discos, ao passo que também suas aparições na TV também começam a ficar mais espaçadas. Em 1964, com uma nova ordem musical já imperando, Dircinha abandona de vez a carreira.




Dircinha tinha um jeito diferente de cantar, até, digamos, avançado para a época. Era um canto suave e doce, não necessariamente sexy, mas tinha um quê meio "safadinho", como diria a cantora e sua amiga Luely Figueiró. No lado A, está o famoso fox "Neurastênico", grande sucesso de 1954 que, além de sua gravação e a do autor Betinho, ainda seria gravado pel'Os Cariocas, Raul de Barros, Sylvio Mazzuca, Pernambuco e Gilberto Grossi. É curiosa a associação do bairro carioca de Jacarepaguá com a "neurastenia". Na época da composição, o bairro era pouco habitado pois é bem afastado do centro, no extremo oeste do Rio. E a pessoas que não estavam "bem da cabeça", recomendava-se uma temporada lá pra se desligar dos problemas da cidade. Fazendo um paralelo, seria o equivalente à recomendação de uma temporada na região da Avenida Paulista àqueles que sofriam de tuberculose, no final do século XIX. No lado B, temos o fox "À Luz da Lua Prateada". Dircinha era especialista na interpretação de foxes, sendo este o gênero predominante nos seus discos. E nesta face do disco, temos Dircinha numa excelente interpretação, de letra bem ousada (bem ao seu estilo também), que nos dá a prova real do porquê de ser uma das strelas mais requisitadas de São Paulo.

Seus discos, infelizmente, não são tão fáceis de se achar. Mas a questão é: não conheci ninguém que tenha ouvido e não tenha gostado! Aproveitem e comentem!





P.S.: Quando a música é boa, não importa a sua origem. Porém, já sinto o espírito do rádio carioca me invadindo! Aguardem novidades!

domingo, 6 de setembro de 2009

Carnavais brasileiros - ano de 1955

O Chiadofone dá início hoje a uma série de posts sobre os carnavais brasileiros do período 1948-1955.

O catálogo de partituras das Edições Irmãos Vitale apresentou cerca de 110 sucessos para 1955, o ano do último grande carnaval brasileiro - na opinião modesta deste que vos escreve. Entre os sucessos, o Chiadofone hoje traz 25, entre os inesquecíveis, as curiosidades e as boas músicas, mas não famosas do grande público.









As primeiras gravações do post trazem uma história triste: "Ressaca" e "Guarda essa arma" são as duas últimas participações do Zé da Zilda (José Gonçalves) em disco, que faleceu pouco tempo depois. “Império do samba” é uma homenagem da Odeon ao grande intérprete, como o atesta o selo do disco.






Coleção Djalma M.C.

Muitos dos sucessos aqui postados foram reunidos em um LP dez polegadas naquele ano. Deles, o Chiadofone dispõe para audição as gravações de Hebe Camargo, Dalva de Oliveira, Alcides Gerardi e João Dias, retirados, porém, das excelentes gravações em 78 rpm.

1 - Coro de Artistas da Odeon - Império do Samba (samba de Zé e Zilda, Odeon 13734-a, grav. 09.12.1954)
2 - Coro de Artistas da Odeon - Samba do assovio (de Zé e Zilda - A. Silva – E.Silva, Odeon 13734-b, grav. 09.12.1954)
3 - Zé e Zilda - Ressaca (marcha de Zé da Zilda - Zilda, Odeon 13735-a, grav. 24.09.1954)
4 - Zé e Zilda - Guarda essa arma (marcha de Zé da Zilda - Zilda - J. Gonçalves, Odeon 13735-b, grav. 24.09.1954)
5 - Risadinha - O maior sou eu (samba de Zé Pretinho - A. Barreto - Ayrton Amorim, Odeon 13735-a, grav. 21.10.1954)
6 - Risadinha - Casado fala pouco (marcha de Otolindo Lopes - Arnô Provenzano, Odeon 13737-b, grav. 30.09.1954)
7 - Alcides Gerardi - Água, não!... (marcha de Américo Seixas - Erasmo Silva, Odeon 13738-a, grav. 04.10.1954)
8 - Hebe Camargo - Cansada de sofrer (samba de José Roy - Doca, Odeon 13747-a, grav. 07.10.1954)
9 - Hebe Camargo - Madalena (samba de Oswaldo França - Black-Out, Odeon 13747-b, grav. 07.10.1954)
10 - Dalva de Oliveira - É hoje (samba de Ataulfo Alves - Dunga, Odeon 13748-b, grav. 19.07.1954)
11 - Dalva de Oliveira - Chama do nosso amor (samba de Oswaldo Martins - Dias da Cruz, Odeon 13748-b, grav. 19.07.1954)
12 - João Dias - Meu último reinado (samba de Herivelto Martins - Raul Sampaio, Odeon 13769-a, grav. 26.10.1954)
13 - Francisco Carlos - Maldição (samba de Monsueto C. Menezes - R. Filho, RCA Victor 80-1400-b, grav. 06.10.1954)
14 - Marlene - Mora na filosofia (samba de Monsueto C. Menezes - Arnaldo Passos, Continental 17047-b, grav. 29.10.1954)
15 - Jorge Goulart Com Vero E Sua Orquestra - Ninguém tem pena (samba de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, Continental 17050-a)
16 - Jorge Goulart Com Vero E Sua Orquestra - Você não quer nem eu (samba de Ataulfo Alves, Continental 17050-b)
17 - Carmélia Alves Com Severino Araujo E Sua Orquestra Tabajara - Disco voador (marcha de Hervê Cordovil, Continental 17062-b)
18 - Nora Ney Com Ataulfo Alves E Suas Pastoras - Vou de tamanco (samba de Zé Gonçalves - Zilda Gonçalves, Continental 17065-a)
19 - Nora Ney Com Ataulfo Alves E Suas Pastoras - Se a saudade me apertar... (samba de Jorge Castro - Ataulfo Alves, Continental 17065-b)
20 - Jackson do Pandeiro - Vou gargalhar (samba de Edgar Ferreira, Copacabana 5331-b)
21 - Jorge Veiga - Tira essa mulher da minha frente (marcha de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, Copacabana 5353-b)
22 - Black-Out - Maria Escandalosa (marcha de Klecius Caldas - Armando Cavalcanti, Copacabana 5354-b)
23 - Gilberto Alves - Recordar (samba de Aldacir Louro - Aluisio Marins - Adolfo Macedo, Copacabana 5362-a)
24 - Carmen Costa - "Tem nêgo bêbo aí" (marcha de Mirabeau - Ayrton Amorim, Copacabana 5363-a)
25 - Jorge Veiga - Judas (samba de Haroldo Lobo - David Nasser, Copacabana 5364-a)