quarta-feira, 18 de novembro de 2009

E a década de 1920?...

E a década de 1920?... É a pergunta que me vem à cabeça sempre que consulto o "Feedjit", ferramenta que instalamos no blog para saber de onde são nossos visitantes e, mais importante ainda, o que procuram e como chegaram. E é simplesmente impressionante a quantidade daqueles que aqui chegam em busca dos anos 20. Numa frequência praticamente diária, o Google e outros buscadores nos "encaminham" visitantes que neles pesquisaram por "MPB da década de 20", "música brasileira anos 1920", etc.

Minha conclusão: é uma demanda que não é atendida. Simplesmente não há como chegar na loja e pedir "oi, quero o CD do Benicio Barbosa". Não que acreditemos que discos com gravações de, digamos, Frederico Rocha, Arthur Castro, Lais Arêda, Sebastião Rufino e muitos outros (todos eles artistas de valor que, entretanto, caíram no esquecimento) fossem vender às pencas se lançados pela Revivendo, mas que a década de 1920 está marcada no imaginário popular e há bastante gente interessada no que se ouvia, no que se dançava, no que fazia sucesso nas vitrolas naqueles tempos, isso é fato.

Portanto, daremos também atenção a este período, fazendo o possível para vencer a escassez de material. Discos da década de 1920 às vezes são mais difíceis de se encontrar do que discos da primeira década daquele século, acredite quem quiser! E quando é de repertório dançante (samba, maxixe, fox-trot), então... não é raro que apareçam em um estado de conservação deplorável, o que nem causa muito espanto pois deviam ser tocados à exaustão.





Uma última observação: por "licença poética", serão também considerados vários discos gravados em 1931 e 1932 ainda sob o rótulo de "loucos anos 20". Ainda em 1932, nas gravadoras Odeon e Parlophon, encontramos várias gravações no "velho estilo". Estilo que eu até afirmaria que nasceu na Odeon, a única grande gravadora daqueles tempos e que reinaria sozinha até fins de 1929. O disco que apresento hoje, o Parlophon 13272, é um deles. Ouçam a formidável introdução feita pela Orchestra Guanabara (os primeiros vinte segundos) em "Cor de prata" que estará demonstrado o que quero dizer.





Pois bem, "Cor de Prata" foi grande sucesso no carnaval de 1931, e "Nêga", a música do outro lado do disco, de letra espirituosa e gaiata, também não deixou a desejar. A primeira foi obra inspiradíssima de Lamartine Babo e a segunda, de Lamartine com Noel Rosa.



Detalhe na capa




Um costume de época: as dedicatórias, quase sempre presentes nas partituras

Em ambas o vocalista é ninguém menos que João de Barro, o Braguinha, ainda na sua fase de cantor. Nos coros percebe-se com destaque as vozes de Almirante (lado A) e Noel Rosa (lado B, que teve por acompanhamento o Bando de Tangarás).



Estimo que ambas tenham sido gravadas em dezembro de 1930 ou no início de janeiro de 1931, sendo o disco lançado ainda neste mês.



Digitalização e acervo: Djalma M.C.