quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Boas Festas



Depois do presente de natal (sim, um post com quatro dezenas de músicas já vale por um!), a equipe do blog deixa aos leitores, como lembrança de final de ano, uma obra-prima do genial Assis Valente em sua gravação original e, até ousaria afirmar, insuperável. E que venha 2010 com muitas novidades para todos nós. BOAS FESTAS!








Diabos do Céo / Canto: Carlos Galhardo - Boas festas (Marcha de Assis Valente, Victor 33723a, grav. 17.10.1933, lanç. dezembro/1933)
Acervo e digitalização pelo autor.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Dossiê musical Dalva de Oliveira e Herivelto Martins

A partir de janeiro de 2010 a Rede Globo de Televisão transmitirá uma minissérie centrada na figura de Dalva de Oliveira, uma das minhas cantoras favoritas e ídolo inconteste da geração das cantoras do rádio. O blog do Paulo Henrique já adiantou algo da minissérie e o Chiadofone já entrou com um post sobre o tema.



A par de relembrar a grande cantora e as composições que marcaram o fim do conturbado casamento com Herivelto Martins, o que decerto alimentará o enredo da novela e cada um avaliará como quiser ao assisti-la, o intuito desse post não é seguir nem a tentação de recontar musicalmente os compassos e descompassos do relacionamento, nem fazer mais uma apologia ao talento de qualquer das partes.

Pelo que pude perceber do pouco que já vi da minissérie, a música brasileira da virada dos anos 1940 para os anos 1950 não será o foco da emissora, pois as composições de Dalva e Herivelto poderão ser consideradas apenas um produto direto das vivências do casal na fase crítica do casamento, manifestando cada um o seu brilho como intérprete e compositor.



Então, nosso foco neste post é destacar que a história toda que cerca o desquite de Dalva e Herivelto foi na verdade uma grande alavanca para suas carreiras e, sobretudo, ajudou a fixar uma temática dominante na música brasileira durante uma década inteira: a do amante abandonado e profundamente magoado com o fim da relação.

Desde o final dos anos 1930 o gênero samba-canção abria as torneiras dos corações que vazavam sua mágoa, mas essa tendência ficou ainda mais forte nos anos 40, nas inesquecíveis interpretações, por exemplo, de "Bom dia" (Linda Baptista e as Três Marias, Victor 34.962-A, 1942) e de "Saia do meu caminho" (Araci de Almeida, Odeon 12.686-B, 1946). Nem precisa dizer o que aconteceu quando os boleros começaram a reinar por aqui, depois do fim da Segunda Guerra.



Isso significa que, já em "Não é horário" (Trio de Ouro, Odeon 12.741-A, 1946), Dalva e Herivelto perceberam que esse tipo de repertório rendia. Tanto é que muitos compositores se deram bem ajudando a cada uma das partes quando a bomba estourou.

Embora a verdade é que Dalva e Herivelto sofreram um verdadeiro bombardeio de nossa imprensa (já naquela época!) bastante equivocada, vulgar e disposta a tudo em se tratando de vender mais, o desquite rendeu-lhes, porém, uma rica batalha mediada por discos dos mais importantes da década de 1950.



Retirado da biografia de Pery Ribeiro, 2005.

Neste post algumas dessas gravações contam a história toda, mas de uma forma diferente. Preferimos mostrar como o tipo de composição descrita mais acima decidiu a carreira de ambos para muito além do divórcio. Ou seja, não deixamos de admitir que algumas composições foram respostas públicas dadas à provocação de um ao outro, mas insistimos que o tipo de repertório tinha um alcance muito maior do que a revanche individual. Era um investimento técnico e musical.





O leitor da biografia de Pery Ribeiro sobre a vida com os pais, fonte da novelinha da Globo, vai perceber que o Chiadofone não coloca em ordem cronológica as gravações nem se preocupou em verificar quais delas compuseram o teatro midiático do desquite. Nossa intenção é montar, como num capítulo de novela de rádio, uma história de amor que pode ser construída e destruída com todos os tipos de canções. O ouvinte é que deve juntar os pedaços e montar um enredo.





As gravações datam do período 1947-1962 e divergem muito entre si na qualidade da gravação. Há 78 rpm com o chiado típico, 78 rpm gravados com tecnologia analógica e a licença da inclusão de três faixas de LPs 33 rpm, duas de um LP de 1958 ("Dalva", Odeon MOFB 3018) e uma faixa de um LP de 1960 ("Em tudo você", Odeon MOFB 3180). Infelizmente, tivemos de deixar de lado os tangos e os boleros da Dalva quando casada com Tito Climent, bem como a linda versão de "Vingança", (de Lupicínio Rodrigues, Victor 80-0776-B) que o Trio de Ouro (sem Dalva) gravou em 1951. Procurando nos fundos das gavetas de informação como sejam os blogs, o fã mais insaciável pode encontrá-los sem grandes dificuldades.



Acervo Charles Bonares & Djalma. Digitalização Djalma





01 - Trio de Ouro (Dalva de Oliveira Dupla Preto e Branco) com Guari e sua Orquestra - CONTROLANDO ESSA MULHER (samba de Herivelto Martins - Benedito Lacerda, Odeon 12910a, grav. 28.10.1948, lanç. janeiro/1949)
02 - Trio de Ouro (Dalva de Oliveira Dupla Preto e Branco) com Abel e seu Conjunto - LAGRIMA (samba de Herivelto Martins, Odeon 12819b, grav. 30.09.1947, lanç. novembro/1947)
03 - Trio de Ouro (Dalva de Oliveira Dupla Preto e Branco) acomp. por Raul com Regional - CALADO VENCI (samba de Ataulfo Alves - Herivelto Martins, Odeon 12758b, grav. 06.12.1946, lanç. fevereiro/1947)
03a - Trio de Ouro (Dalva de Oliveira Dupla Preto e Branco) com Benedito Lacerda e s/ Conjunto - NÃO É HORÁRIO (samba de Herivelto Martins - J. Costa, grav. 11.10.1946, lanç. novembro/1946)
04 - Trio de Ouro (Dalva de Oliveira Dupla Preto e Branco) acomp. pelo Conjunto Odeon - VEM, MEU AMOR (samba de Haroldo Lobo - Paquito, grav. 28.10.1948, lanç. janeiro/1949)
05 - Dalva de Oliveira com Orquestra Odeon - SEGREDO (samba de Herivelto Martins - Marino Pinto, Odeon 12792a, grav. 06.05.1947, lanç. julho/1947)
06 - Dalva de Oliveira com Chuca-Chuca e seu Conjunto - NOSSAS VIDAS (samba de Herivelto Martins, Odeon 12919b, grav. 23.08.1948, lanç. março/1949)
07 - Dalva de Oliveira com Chuca-Chuca e seu Conjunto - QUARTO VAZIO (samba de Herivelto Martins, Odeon 12919a, grav. 23.08.1948, lanç. março/1949)
08 - Francisco Alves com acomp. de Regional - ELA (samba de Herivelto Martins, Odeon 13232a, grav. 01.11.1951, lanç. março/1952)
09 - Dalva de Oliveira com Oswaldo Borba e sua Orquestra - QUE SERÁ (bolero de Marino Pinto - Mario Rossi, Odeon 13022b, grav. 11.03.1950, lanç. julho/1950)
10 - Dalva de Oliveira com acomp. de Orquestra - POEIRA DO CHÃO (samba-canção de Klecius [Klecius Caldas] e Armando Cavalcanti, grav. 21.07.1951, lanç. março/1952)
11 - Dircinha Batista acomp. pelo Conjunto Odeon - SEU CORAÇÃO É SEU MESTRE (samba de Benedito Lacerda - Herivelto Martins, grav. 21.10.1948, lanç. janeiro/1949)
12 - Dalva de Oliveira com Oswaldo Borba e sua Orquestra - ERREI, SIM (samba de Ataulpho Alves, Odeon 13039a, grav. 17.07.1950, lanç. setembro/1950)
13 - Nelson Gonçalves com orquestra - AMIGO (samba de Herivelto Martins, RCA Victor 80-0660a, grav. 20.04.1950, lanç. julho/1950)
14 - Francisco Alves acomp. por Benedito Lacerda e seu Conjunto com Raul - NO MEU COLCHÃO (samba de Benedito Lacerda - Herivelto Martins, grav. 04.12.1947, lanç. janeiro/1948)
15 - Dalva de Oliveira com acomp. de Orquestra - TUDO ACABADO (samba de J. Piedade - Osvaldo Martins, Odeon 13002b, grav. 11.03.1950, lanç. maio/1950)
16 - Dalva de Oliveira e Roberto Inglez e sua Orquestra - FIM DE COMEDIA (samba-canção de Ataulfo Alves, "Gravado em Londres", 1952)
17 - Dalva de Oliveira com Oswaldo Borba e sua Orquestra - CHOREI, CHOREI SIM (samba de Fernando Lobo - Nestor da Hollanda, grav. 27.10.1950, lanç. dezembro/1950)
18 - Angela Maria Com Orquestra - RECUSA (Bolero de Herivelto Martins, Copacabana 5290a, 1954)
19 - 4 Azes e 1 Coringa com Geraldo Medeiros e seu Conjunto - CABELOS BRANCOS (samba de Herivelto Martins - Marino Pinto, grav. 30.11.1948, lanç. janeiro/1949)
20 - 4 Ases e 1 Coringa / Conjunto Vocal com regional - CABELOS BRANCOS (samba de Herivelto Martins - Marino Pinto, RCA Victor 80-0750a, grav. 03.01.1951, lanç. março/1951)
21 - Dalva de Oliveira com Oswaldo Borba e sua Orquestra - CONSOLAÇÃO (samba de Vicente Paiva - S. Gomes - Tito Mendes, Odeon 13079b, grav. 10.11.1950, lanç. janeiro/1951)
22 - Dalva de Oliveira com acomp. de Orquestra - A GRANDE VERDADE (samba de Luiz Bittencourt - Marlene, Odeon 13173b, grav. 21.07.1951, lanç. outubro/1951)
23 - Dalva de Oliveira com Vicente Paiva e sua Orquestra - DOCE INIMIGO (samba-canção de Tito Climent, Odeon 13260b, grav. 21.02.1952, lanç. maio/1952)
23a- Dalva de Oliveira e Roberto Inglez e sua Orquestra - SEM ÊLE (baião de Humberto Teixeira, Odeon X-3369a, "Gravado em Londres", 1952)
24 - Dalva de Oliveira com Oswaldo Borba e sua Orquestra - MENTIRA DE AMOR (samba de Lourival Faissal - Gustavo de Carvalho, Odeon 13056b, grav. 09.08.1950, lanç. novembro/1950)
25 - Isaura Garcia com regional - PROMETEU ME AJUDAR (samba de Herivelto Martins - Benedicto Lacerda, RCA Victor 80-0738b, gravação: 26.10.1950, dezembro/1950)
26 - Dalva de Oliveira com Léo Peracchi e sua orquestra - PRECE DE AMOR (samba-canção de Rene Bittencourt, Odeon 14212, grav. 17.04.1957, lanç. junho/1957)
27 - Dalva de Oliveira com Orquestra dir. Antônio Carlos Jobim - ETERNA SAUDADE (samba-canção de Genival Melo - luiz Dantas, Odeon 13906a, grav. 10.08.1955, lanç. outubro/1955)
28 - Trio de Ouro (Herivelto Martins - Lourinha Bittencourt - Raul Sampaio) com orquestra - SE A SAUDADE FALASSE (Bolero de Herivelto Martins, RCA Victor 80-0957a, grav. 11.06.1952, lanç. agosto/1952)
29 - Nelson Gonçalves com orquestra - NEM O CHOPE (Marcha de Herivelto Martins - Benedicto Lacerda, RCA Victor 80-0848a, grav. 11.09.1951, lanç. novembro/1951)
30 - Dalva de Oliveira com Antonio Carlos Jobim e sua Orquestra - HÁ UM DEUS (samba-canção de Lupicinio Rodrigues, Odeon 14259, grav. 06.05.1957, lanç. outubro/1957)
31 - Dalva de Oliveira com Côro e Orquestra - FOI BOM (samba de Marino Pinto - Haroldo Lobo, grav. 23.09.1955, lanç. fevereiro/1956)
32 - Dalva de Oliveira com acomp. de Orquestra Dir.: Rodriguez Fauré - TRISTE ENCONTRO (samba-canção de T. Climent [Tito Climent], Odeon X-3424b, "Gravado em Buenos Aires", 1955)
33 - Dalva de Oliveira com orquestra / Arr. e Dir.: Antonio Carlos Jobim - TEU CASTIGO (samba-canção de Newton Mendonça - Antonio C. Jobim, Odeon 14026a, grav. 08.12.1955, lanç. junho/1956)
34 - Dalva de Oliveira com orquestra / Arr. e Dir.: Antonio Carlos Jobim - NESTE MESMO LUGAR (samba-canção de Klecius Caldas - A. Cavalcanti, Odeon 14026b, grav. 09.12.1955, lanç. junho/1956)
35 - Dalva de Oliveira - NÃO TEM MAIS FIM (de Hervé Cordovil - R. Cordovil, LP Odeon MOFB 3018, 1958)
35a- Dalva de Oliveira com Orquestra e Côro - TATUADO (samba de Klecius Caldas - Armando Cavalcanti, Odeon 14160, grav. 22.10.1956, lanç. fevereiro/1957)
36 - Dalva de Oliveira e Roberto Inglez e sua Orquestra - ENCONTREI AFINAL (samba-canção de Hianto de Almeida - Haroldo de Almeida, "gravado em Londres", 1952)
37 - Dalva de Oliveira - NEM DEUS, NEM NINGUÉM (de Roberto Faissal, Odeon 14837, grav. 29.08.1962, lanç. março/1963)
38 - Dalva de Oliveira - NÃO TE ESQUECEREI (de Ana Luiza C. Teixeira, LP Odeon MOFB 3180, 1960)

domingo, 6 de dezembro de 2009

Carnavais brasileiros - ano de 1953

Continuando nossa série de posts sobre os últimos grandes carnavais brasileiros, o foco agora é o carnaval de 1953. Começamos mal. Em 1953 o Brasil não havia se recuperado do desaparecimento de Francisco Alves, num triste acidente automobilístico em agosto do ano anterior, e nossas duas grandes estrelas, Dalva e Carmen, estavam no estrangeiro - Carmen no frenesi estadunidense e Dalva casadinha com Tito Climent, na Argentina.


O que nos resta? Lamentos e conflitos sentimentais, realidade cotidiana e elogios à cachaça - profusos, entusiasmados e... vazios.




Edigar de Alencar (em seu livro "O carnaval carioca através da música") menciona esse carnaval como um dos menos ricos em clássicos. Quer dizer, cheio de sambas fáceis na boca do povo, mas esquecidos logo após a quarta-feira de cinzas.


O Chiadofone, porém, destaca alguns dos representantes desse carnaval e fica devendo apenas a melodia mais tocada do ano, "Cachaça" (lembram? "Se você pensa que cachaça é água..."), aliás não difícil de ser encontrada num site cá e acolá.






01 - Dircinha Batista - Máscara da face (samba de Klecius Caldas - A. Cavalcanti [Armando Cavalcanti], Odeon 13366a, grav. 26.09.1952)
02 - Dalva de Oliveira - Vai na paz de Deus (samba de Ataulfo Alves - Antonio Domingues, Odeon 13382a, grav. 11.11.1952)
03 - Orlando Silva - Boêmio de raça (samba de Sebastião Rosendo - Alex, Copacabana 5014a, janeiro de 1953)
04 - Carmen Costa - Vai levando (batucada de Ataulpho Alves – José Baptista [Wilson Baptista], Star 392b, novembro de 1952)
05 - Black-Out Com Astor E Sua Orquestra - Dona Cegonha (marcha de Cavalcanti - Klecius [Armando Cavalcanti - Klecius Caldas], Continental 16669a, janeiro de 1953)
06 - Marlene Com Zimbres E Sua Orquestra - Zé Marmita (samba de Brazinha – Luiz Antonio, Continental 16670a, janeiro de 1953)
07 - Jorge Veiga Com Astor E Seu Conjunto - Na China [marcha de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, Continental 16690a, janeiro de 1953)
08 - Linda Baptista - Abre a porta São Pedro (samba de Armando Cavalcanti - Klecius Caldas, RCA Victor 80-1000a, grav. 15.08.1952, outubro de 1952)
09 - Cesar de Alencar - Cossaco (marcha de Carvalhinho, RCA Victor 80-1024a, grav. 04.09.1952, novembro de 1952)
10 - Angela Maria - Matéria plástica (marcha de Wilson Baptista – Jair Amorim, RCA Victor 80-1032b, grav. 09.09.1952, novembro de 1952)
11 - 4 Ases e 1 Coringa - Pescador (marcha de Haroldo Lobo - Milton de Oliveira, RCA Victor 80-1038a, grav. 18.09.1952, dezembro de 1952)

Acervo de digitalização: Djalma