quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

A ascensão do astro Wilson Simonal



Wilson Simonal em 78 rotações por minuto! Taí um disco interessantíssimo, tanto do ponto de vista discográfico como do artístico.

A idéia comum é que artistas posteriores ao surgimento da bossa-nova nunca tenham sido lançados em discos 78 rpm, um formato que quase sempre é associado a gramofones, a vitrolas de corda, a cantores esquecidos e/ou falecidos há décadas. No entanto, existem discos 78 rpm de Elis Regina, Geraldo Vandré, Roberto Carlos, Sérgio Ricardo, Jorge Ben, Pery Ribeiro, Elza Soares, Nana Caymmi, Tamba Trio, Baden Powell, Carlos Lyra, Jair Rodrigues, Vinicius de Moraes (já publicado aqui pelo Gabriel), The Jordans, Golden Boys, Sérgio Reis, Altemar Dutra, Demetrius, Bobby de Carlo, Trio Esperança e outros artistas que ou alcançaram o sucesso na década de 1960, ou cuja imagem está mais ligada àquele período e que, mesmo que não estejam tocando nas rádios ou até mesmo tenham falecido ou encerrado suas carreiras, seus nomes ainda são lembrados por muitos. Obviamente, alguns deles dentro do rol dos maiores artistas que o Brasil já teve.

Agora, do ponto de vista artístico, o terceiro e último 78 rpm de Wilson Simonal é um desses discos que servem como a peça de um quebra-cabeças na evolução do estilo de um artista. Isso porque, se de um lado as composições ainda apontam para dois ritmos dos mais manjados (leia-se "apelo comercial", sem que isso represente um demérito) do início da década de 1960, a bossa-nova e o rock, por outro lado a interpretação já apresenta a brejeirice típica daquele Simonal que pouco tempo depois causaria assombro ao reger multidões no Teatro Record e no Maracanãzinho.

O repertório escolhido para o disco retrata fielmente aqueles primeiros anos de carreira do cantor: um lado dedicado à bossa-nova, visto que Simonal chegaria a ser cantor no famoso "Beco das Garrafas", Rio de Janeiro, e o outro ao rock-balada. Seu lançamento em disco, aliás, se daria em 1961 com gracioso rock-balada, "Biquinis de borboletas" (temperado com tanto "doo-wop" que até parece vindo diretamente dos anos 50) e um cha-cha-cha de sucesso, "Terezinha", de Carlos Imperial.




01 - Está nascendo um samba (grav. 15.01.1963, lanç. abril/1963)
02 - Garôta legal (grav. 24.01.1963, lanç. abril/1963)



Acervo e digitalização pelo autor. Mil agradecimentos ao Charles, pela grande ajuda e colaboração no texto.

2 comentários:

Charles Bonares disse...

O Simonal era uma espécie de Marvin Gaye tupiniquim, né não?

druca disse...

Tendo em vista que os discos de 78 rpm (que substituíram os de 76, 79 e 80 rpm) conviveram com os de 45 rpm até 1961 e com os de 33 rpm até 1964, obviamente, os artistas que gravaram neste período, a chamada "música jovem" pré-jovem guarda (rock, twist, surf) deveriam ter gravado também naquela rotação. Roberto Carlos, Wanderléa, Renato & seus Blue Caps, The Jet Black's, The Jordans, The Golden Boys, Rosemary, Sérgio Reis e muitos, muitos outros gravaram em discos de 78 rpm (em cera ou não cera). Além do fato de, artistas que vinham do período exclusivamente 78rpm terem gravado rocks ou assemelhados também em 78 rpm no fim da década de 50 e início da de 60.