sexta-feira, 5 de março de 2010

Maria Regina - A Música do Papai / Oh! Carol

Depois que Braguinha enxergou um filão nas crianças e na música infantil, a música brasileira nunca mais foi a mesma. As crianças podem não ter dominado o mundo, como se temia, mas na nossa fonografia, elas conquistaram seu espaço. E nessa de brincar dos estúdios para dentro, muitas entraram na roda, mas apenas uma mereceu o título máximo: a Menor Cantora do mundo!


Em 1960, o grande maestro Hervé Cordovil, já uma glória da nossa história musical; parceiro, entre outros, de Noel Rosa e responsável por grandes orquestrações levadas ao ar pela Rádio e TV Record, assistia satisfeito o sucesso de seu filho Ronald, o Ronnie Cord. Com o faro típico de quem convivia com o meio artístico há mais de 30 anos, direcionava a carreira do garoto e escrevia versões para os sucessos americanos do momento. E esse faro, certo dia, voltou-se para um anjinho loiro e de olhos verdes que cantava as músicas da parada e corria pela casa. Era sua filha Maria Regina, que contava 3 aninhos. Os programas infantis de rádio e TV faziam enorme sucesso na época e lá foi a garotinha roubar a cena, sendo, por diversas, vezes noticiada na imprensa escrita. Desinibida e bastante afinada para a idade, um disco seria um tiro certo, mas... como fazê-lo?

Capa de seu primeiro LP "A Menor Cantora do Mundo

Simples! Hervé era diretor artístico do ramal paulistano da Copacabana Discos. Mesmo que assim não fosse, talentosa como era e ainda de descendência tão ilustre, pelo menos uma audição-teste já era garantida. Mas, justamente para evitar a inevitável fala maldosa que viria pela frente, Maria Regina foi levada para a RCA Victor e o contrato, assinado assim que perceberam que o papel não sairia pela Copacabana. E o papai em questão sabia onde pisava. Certamente identificara que, fora algumas iniciativas e lançamentos esparsos, o Brasil ainda não tinha um ídolo mirim; o forte dos discos para crianças ainda eram as histórias e canções de datas comemorativas - cantadas por gente grande. Celly Campelo e Sônia Delfino não estavam na conta, pois seu público alvo eram os adolescentes e pré-adolescentes. Não tinha como errar!

E como acertou! Para seu primeiro 78, escolheu uma daquelas típicas valsinhas, "A Música do Papai" (uma singela homenagem a ele mesmo), e a grande surpresa: "Oh, Carol!", cantada em inglês, com direto até àquela declamação no instrumental de passagem! Para os padrões da época, "Oh, Carol!" já era considerada uma música antiga. Lançada em 1959, ganhara mais de uma dezena de gravações só no Brasil e, naquele 1961, portanto, já contava com bons dois anos nas costas. E olha que 1 ano de vida para uma música já era uma eternidade! Poxa, mas quem não iria comprar um disco de uma menina de 3 anos de idade cantando em inglês!?

Os arranjos ficaram a cargo do extremamente competente maestro Francisco (Chico) de Moraes, que também fugiu do convencional. Seu arranjo não utilizou celeste, sininhos ou qualquer outro instrumento que poderia deixar a música com "cara de música infantil"; pelo contrário, utilizou muitas cordas e um grande coro misto. Resultado: um intrumental de respeito, digno de qualquer grande cantor, podendo-se dizer até que aqui está uma das melhores gravações deste grande sucesso de Neil Sedaka.



O talento da menina e a produção cuidadosa do pai coruja fizeram deste disco um grande sucesso. Em pouco mais de um ano, foram lançados mais 3 78's e um LP, todos com boas vendagens. Em 1964, Maria Regina ainda gravaria mais um LP para depois... Bem, crescer e brincar! Ah, mas sua carreira não terminou sem antes entregar ao público um daqueles sucessos eternos, que falam diretamente à nossa memória afetiva: "Carta ao Papai Noel", marcha do papai Hervé Cordovil, lançada no seu primeiro LP, que também disponibilizamos aqui. Eu, que estava na pré-escola por volta de 1993-94, ou seja, bem depois do lançamento da música, lembro perfeitamente dela tocando nas festinhas de final de ano.

Ah, será que o Ronnie ganhou o seu Volkswagen? =]


2 comentários:

Charles Bonares disse...

Gab, já que esse post trata de rock, vamos fazer um sobre versões brasileiras de rock gringo? O que você tem aí no seu acervo?
Abração do Charles (agora sem Orkut).

jessejj disse...

Maravilha!! Fazia 45 anos que eu estava à procura dessa música. Obrigado