segunda-feira, 31 de maio de 2010

Ê, São Paulo!

Peço liçença aos amigos Djalma, Charles e Milton para fazer aqui um momento "Meu Querido Diário", tudo bem? =D


Este sábado, voltando pra casa depois de mais um dia de pesquisa na Biblioteca Nacional, vim pensando comigo que, afogado há tempos no universo musical carioca, revirando seus jornais e seus artistas, há tempos não encontro nomes dos grandes e tradicionais artistas do cenário paulistano dos anos 50. Personagens destacados diariamente, quase nunca aparecem nas folhas do Rio de Janeiro, como das cantoras Elza Laranjeira, Isaura Garcia, Esterzinha de Souza, Triana Romero, Bianca Bellini, Neyde Fraga, Dircinha Costa, Elza Aguiar, Cinderela, Luely Figueiró, Inezita Barroso, Cizinha Moura; dos cantores Wilson Miranda, Mauricy Moura, Roberto Amaral, Solon Sales, Oscar Ferreira, Francisco Egydio, Oswaldo Rodrigues, Carlos Galindo; dos trios Marayá, Itapoã, Montanhês, Iemanjá; dos apresentadores Blota Jr., Sandra Amaral, Randal Juliano, Júlio Rosemberg, Aurélio Campos; dos atores Eugênio Kusnet, Francisco Negrão, Gianfrancesco Guarnieri, Maria Vidal, Pagano Sobrinho, Dorinha Duval; dos maestros Simonetti, Zico Mazagão, grande Cyro Pereira, Spártaco Rossi, Ruben Perez (Pocho), Hector Lagna Fietta, Osmar Milani...



Puxa, que saudade bateu da minha terra, que não piso há exatos 8 meses... E é claro que essa saudade iria somatizar em forma de música! E fiquei lá, eu sozinho em casa, bebendo doses cavalares da grande música paulista. São Paulo não é, necessariamente, uma cidade de beleza bestificante como a do Rio de Janeiro, mas ela tem um encanto diferente. O Rio deslumbra os olhos, enquanto que São Paulo, um pouco mais indefesa nesse ponto (mas nem tanto), interage com o espírito, deslumbra outros sentidos.



E nesse post feito sem muito ensaio, gostaria de dividir um pouco dessa saudade com vocês, trazendo aqui um repeteco das minhas preferidíssimas Elza Laranjeira e Neyde Fraga, Alda Perdigão e, estreando no Chiadofone, Wilma Bentivegna.

Alda reaparece nessa rara e bastante procurada gravação de 1963, sendo este seu único registro pela Philips. De um lado, está "Quando Chegares", que Carlos Lyra afirma ser sua primeira composição, feita no ano de 1954. Ótima gravação, vocalizada com muita suavidade pela cantora, embora a orquestração do Maestro Carlos piper não siga na mesma linha. Do outro lado, temos um clássico de Gilbert Becaud e da música grandiloquente feita no período, sobretudo, pela França e Itália. E dá-lhe metais em brasa, que seguem num crescendo até chegar ao final com ares de apoteose.


Para vocês, Neyde Fraga, a "voz-veludo de São Paulo", em dois momentos. O primeiro, em 1950, em seu segundo disco. Nele, há o belo samba-canção "Quando Alguém Vai Embora", que um ano depois seria gravado pela novata Ângela Maria em seu segundo disco, cuja gravação não faria lá muito sucesso, mas lhe renderia as primeiras impressões (brandas-diga-se de passagem) da crônica especializada. E em 1953, temos "Jambalaya", clássico da música country americana, que depois seria febre mundial com Brenda Lee. Foi o primeiro grande sucesso de Neyde. E como vendeu esse negócio! Se você encontrar uma pilha de 78's em algum sebo de São Paulo, pode apostar: lá terá pelo menos um "Jambalaya" e um "Baião Caçula" com Hebe Camargo. Não deixe também de ouvir o outro lado do disco, o baião "Banco de Jardim". Ambas as letras são do comediante Edair Badaró, do primeiro time de humoristas da Rádio e TV Record, falecido recentemente em Portugal.




Elza Laranjeira é conhecida como uma cantora extremamente refinada e de classe. Seus LP's pela RGE são pérolas, onde desfilam alguns boleros e, sobretudo, sambas-canção e sambas modernos em voga na época. Repertório excelente. Hoje, levamos até vocês, entretanto, a face menos conhecida e carnavalesca da cantora. Pela Colúmbia, gravou a marcha "Pé de Pobre", que foi um estrondo no carnaval paulista de 54, abiscoitando, inclusive, o 1º prêmio num concurso promovido pela prefeitura da cidade para eleição da marcha do ano. Na Odeon, onde gravou apenas dois discos, ficou registrado um grande sucesso da época, "Lavadeiras de Portugal", que numa versão de Joubert de Carvalho, tomou o Brasil em forma de baião.






E Wilma Bentivegna. Figura das mais famosas na cidade, era cantora, atriz, apresentadora e tudo o mais que necessitasse de talento e desenvoltura ante às câmeras. Em 1959, consagraria-se definitivamente com uma antológica versão do clássico "Hino ao Amor", que ganharia dezenas de gravações pelos anos afora. Mas, antes disso, em 1957, grava "Marcelino, Pão e Vinho", uma das melhores dentre as tantas feitas nesse ano e de boa vendagem. O filme homônimo foi um fenômeno no mundo inteiro, grande parte a interpretação emocionante do garoto Pablito Calvo. Ouvindo suas gravações, você pensará tratar-se de uma menina um pouco só mais velha que Maria Regina. Mas, não se iluda. No ano da gravação, ela já contava 28 anos.



Ah, os cariocas não precisam ficar enciumados! Aguardem novidades! ;)